O mercado da suinocultura em Mato Grosso do Sul acompanhou o movimento de queda registrado em todo o país durante o mês de julho. Em Campo Grande, o preço do quilo do suíno vivo recuou de R$ 5,10 para R$ 4,95, refletindo o aumento da oferta de animais para abate e a redução do ritmo de compras por parte da indústria frigorífica.
O cenário é apontado pela consultoria Safras & Mercado como consequência do excedente de oferta no mercado interno, que reduziu o poder de negociação dos produtores e pressionou as cotações nas principais regiões produtoras do Brasil.
Segundo o analista Allan Maia, a disponibilidade de animais tem sido suficiente para atender a demanda da indústria, criando um ambiente desfavorável para a valorização dos preços.
Além da maior oferta, o consumo doméstico segue em ritmo moderado, enquanto a concorrência com outras proteínas também pesa sobre o setor. A recente queda nos preços de alguns cortes de frango aumentou a competitividade no varejo e dificultou uma recuperação da carne suína.
No atacado, a desvalorização foi ainda mais intensa. A carcaça suína registrou queda de 9,98% em julho, passando de R$ 8,83 para R$ 7,95 por quilo. Já o pernil teve redução de 7,93%, recuando de R$ 10,81 para R$ 9,96 o quilo.
No Centro-Sul do país, a média do preço do suíno vivo caiu 4,49%, passando de R$ 5,25 para R$ 5,02 por quilo.
Queda ocorre em praticamente todas as regiões produtoras
Além de Mato Grosso do Sul, os principais estados produtores também registraram retração nas cotações durante julho. Em São Paulo, a arroba passou de R$ 102 para R$ 98. No Rio Grande do Sul, o quilo do suíno vivo caiu de R$ 5,15 para R$ 4,85. Em Santa Catarina, o mercado independente recuou de R$ 5,05 para R$ 4,80 por quilo, enquanto no Paraná a cotação passou de R$ 5,00 para R$ 4,85.
Também houve redução em Goiás, onde o preço caiu de R$ 5,50 para R$ 5,00; em Minas Gerais, de R$ 6,10 para R$ 5,40; e em Mato Grosso, onde a cotação em Rondonópolis passou de R$ 5,50 para R$ 5,20 por quilo.
A combinação entre oferta elevada, consumo enfraquecido e dificuldade para repassar custos tem reduzido a rentabilidade da atividade, levando muitos produtores a operar com margens cada vez menores.
Exportações continuam sustentando o setor
Apesar das dificuldades no mercado interno, o desempenho das exportações segue como o principal fator de sustentação da suinocultura brasileira em 2026.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, nos primeiros 18 dias úteis de julho, o Brasil exportou 96,1 mil toneladas de carne suína in natura, movimentando US$ 232,7 milhões. A média diária embarcada foi de 5,3 mil toneladas, volume 8,8% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Embora o preço médio por tonelada tenha recuado 8% na comparação anual, especialistas avaliam que o forte ritmo das exportações deve permitir que o país encerre 2026 com um novo recorde de embarques. Ainda assim, o desempenho externo não tem sido suficiente para neutralizar a pressão provocada pelo excesso de oferta e pela demanda enfraquecida no mercado doméstico.









