Uma pesquisa desenvolvida pela Embrapa Meio Ambiente, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a PPS Compósitos, identificou uma estratégia promissora para o controle da murcha de Fusarium, principal doença que afeta a produção de ciclame no Brasil. A técnica combina o β-cariofileno, composto natural produzido pela própria planta, com óxido de grafeno, material derivado do grafite, e conseguiu reduzir em até 40% a mortalidade de plantas infectadas.
O ciclame é uma das principais flores ornamentais cultivadas no país, que responde por cerca de 40% do mercado sul-americano da espécie. A doença causada pelo fungo Fusarium oxysporum é um dos maiores desafios da cultura, podendo provocar perdas de até 70% em lavouras comerciais.
Segundo os pesquisadores, o β-cariofileno faz parte dos mecanismos naturais de defesa das plantas e demonstrou capacidade de inibir o crescimento do fungo em testes laboratoriais. Já o óxido de grafeno, embora não apresente ação antifúngica isoladamente, atua como um agente protetor, reduzindo a volatilidade do composto natural e prolongando sua eficácia.
Nos experimentos realizados em casa de vegetação, a combinação das duas substâncias retardou o avanço da doença e diminuiu significativamente a mortalidade das plantas. A aplicação foi feita tanto por pulverização quanto por endoterapia, técnica que injeta o produto diretamente nos bulbos.
Além de potencializar a ação do β-cariofileno, o óxido de grafeno também foi capaz de adsorver o ácido fusárico, toxina produzida pelo fungo responsável por grande parte dos danos ao ciclame.
Benefícios para a produção
Os resultados mostraram que a tecnologia não apenas reduziu a incidência da doença, como também trouxe ganhos para o desenvolvimento das plantas. Houve aumento da biomassa da parte aérea e antecipação de aproximadamente 11% na floração, fatores que elevam o valor comercial da cultura ornamental.
Em dois genótipos avaliados — Verano Red Solar e Magenta — os pesquisadores observaram que os sintomas da murcha de Fusarium demoraram até 26 dias a aparecer quando as plantas receberam o tratamento combinado.
Alternativa sustentável
Outro ponto destacado pelo estudo é a segurança ambiental da estratégia. Testes ecotoxicológicos com organismos aquáticos, microalgas, microcrustáceos, plantas aquáticas e nematoides indicaram baixa toxicidade do β-cariofileno nas concentrações utilizadas, reforçando seu potencial como alternativa mais sustentável para o manejo fitossanitário.
De acordo com a equipe de pesquisa, a combinação entre β-cariofileno e óxido de grafeno representa uma abordagem inovadora para proteger plantas ornamentais, reduzir perdas econômicas e aumentar a qualidade e a durabilidade das flores. A expectativa é que a tecnologia possa futuramente ser adaptada para outras culturas ornamentais, segmento que vem registrando crescimento no mercado brasileiro.









