Os custos do transporte rodoviário de cargas em Mato Grosso do Sul permaneceram praticamente estáveis durante o mês de junho, mesmo diante do aumento das exportações brasileiras de soja e milho. Dados do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, entre as principais rotas monitoradas no Estado, metade registrou aumento no valor do frete em comparação com o mesmo período de 2025, enquanto as demais permaneceram estáveis ou apresentaram pequenas oscilações.
Segundo a Conab, o comportamento dos preços foi sustentado principalmente pelos custos operacionais do transporte e pelo fluxo constante de cargas agrícolas. Em relação a maio, as mudanças foram pontuais e não alteraram significativamente o cenário do mercado.
No cenário nacional, o desempenho das exportações contribuiu para manter a demanda por transporte. Até junho deste ano, o Brasil embarcou 69,5 milhões de toneladas de soja, volume 7,12% superior ao registrado no primeiro semestre de 2025. As exportações de milho também cresceram, alcançando 7,9 milhões de toneladas, avanço de 22,13% na mesma comparação.
Em Mato Grosso do Sul, entretanto, fatores climáticos ajudaram a evitar uma pressão maior sobre os fretes. As temperaturas mais baixas e as chuvas registradas em diversas regiões produtoras reduziram a perda de umidade dos grãos, retardando o ritmo da colheita e da secagem durante junho. Como consequência, parte da produção de inverno entrou no mercado mais lentamente, mantendo o equilíbrio entre a oferta de caminhões e a demanda por transporte.
Outro fator que influenciou o setor foi a redução de cerca de R$ 0,10 por litro no preço médio do diesel ao longo do mês. Apesar disso, a Conab avalia que o impacto sobre os valores dos fretes foi limitado, já que o mercado continuou sendo determinado principalmente pela relação entre oferta e demanda de transporte e pela política de pisos mínimos estabelecida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), utilizada como referência nas negociações.
Rotas com maiores reajustes
Entre os trechos analisados, a maior valorização em relação a junho de 2025 ocorreu na rota entre Ponta Porã e Maringá (PR), com alta de 32%. Em seguida aparecem Sidrolândia–Maringá, com aumento de 23%, Ponta Porã–Rio Grande (RS), com 22%, e Maracaju–Paranaguá (PR), que registrou elevação de 20%.
Também tiveram reajustes expressivos os trajetos Chapadão do Sul–Paranaguá (13%), São Gabriel do Oeste–Santos (13%), Chapadão do Sul–Guarujá (11%), Dourados–Maringá (11%) e São Gabriel do Oeste–Paranaguá (11%).
Na comparação com maio, algumas rotas apresentaram queda, como Maracaju–Rio Grande (-13%), Maracaju–Maringá (-5%), Chapadão do Sul–Paranaguá (-3%) e Sidrolândia–Santos (-3%). Em contrapartida, houve aumentos em Ponta Porã–Maringá (30%), Dourados–Maringá (12%), Sidrolândia–Maringá (9%), São Gabriel do Oeste–Paranaguá (8%) e Ponta Porã–Santos (8%).
Exportações sustentam demanda
Conforme dados da Comex Stat/Secex, Mato Grosso do Sul exportou, em junho, 926.656 toneladas de soja e apenas 124 toneladas de milho. Apesar da redução nas exportações do cereal, o mercado interno permaneceu aquecido, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, impulsionado pela demanda de cooperativas, indústrias de proteína animal e fabricantes de ração.
Esse movimento compensou parte da redução do fluxo de cargas destinadas à exportação após o pico da safra da soja, mantendo o nível de contratação de fretes.
A Conab destaca que a combinação entre o elevado volume de embarques de soja, o início da comercialização da segunda safra de milho e o fortalecimento do consumo interno garantiu equilíbrio ao mercado de transporte rodoviário, sem pressões significativas sobre os preços.
No escoamento da produção sul-mato-grossense, os principais destinos das cargas de soja e milho foram os portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC), Santos (SP), Porto Murtinho (MS), Rio Grande (RS) e Vitória (ES), reforçando a importância dos corredores logísticos da Região Sul para as exportações do Estado. No período, Mato Grosso do Sul respondeu por 6,39% das exportações nacionais de soja, enquanto a participação nas vendas externas de milho foi considerada pouco representativa.










