Ouça a 94.9 FM DIFUSORA enquanto se mantém informado

Ouça a 94.9 FM DIFUSORA enquanto se mantém informado

Frete rodoviário em MS mantém estabilidade, apesar de altas em rotas estratégicas

Os custos do transporte rodoviário de cargas em Mato Grosso do Sul permaneceram praticamente estáveis durante o mês de junho, mesmo diante do aumento das exportações brasileiras de soja e milho. Dados do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, entre as principais rotas monitoradas no Estado, metade registrou aumento no valor do frete em comparação com o mesmo período de 2025, enquanto as demais permaneceram estáveis ou apresentaram pequenas oscilações.

Segundo a Conab, o comportamento dos preços foi sustentado principalmente pelos custos operacionais do transporte e pelo fluxo constante de cargas agrícolas. Em relação a maio, as mudanças foram pontuais e não alteraram significativamente o cenário do mercado.

No cenário nacional, o desempenho das exportações contribuiu para manter a demanda por transporte. Até junho deste ano, o Brasil embarcou 69,5 milhões de toneladas de soja, volume 7,12% superior ao registrado no primeiro semestre de 2025. As exportações de milho também cresceram, alcançando 7,9 milhões de toneladas, avanço de 22,13% na mesma comparação.

Em Mato Grosso do Sul, entretanto, fatores climáticos ajudaram a evitar uma pressão maior sobre os fretes. As temperaturas mais baixas e as chuvas registradas em diversas regiões produtoras reduziram a perda de umidade dos grãos, retardando o ritmo da colheita e da secagem durante junho. Como consequência, parte da produção de inverno entrou no mercado mais lentamente, mantendo o equilíbrio entre a oferta de caminhões e a demanda por transporte.

Outro fator que influenciou o setor foi a redução de cerca de R$ 0,10 por litro no preço médio do diesel ao longo do mês. Apesar disso, a Conab avalia que o impacto sobre os valores dos fretes foi limitado, já que o mercado continuou sendo determinado principalmente pela relação entre oferta e demanda de transporte e pela política de pisos mínimos estabelecida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), utilizada como referência nas negociações.

Rotas com maiores reajustes

Entre os trechos analisados, a maior valorização em relação a junho de 2025 ocorreu na rota entre Ponta Porã e Maringá (PR), com alta de 32%. Em seguida aparecem Sidrolândia–Maringá, com aumento de 23%, Ponta Porã–Rio Grande (RS), com 22%, e Maracaju–Paranaguá (PR), que registrou elevação de 20%.

Também tiveram reajustes expressivos os trajetos Chapadão do Sul–Paranaguá (13%), São Gabriel do Oeste–Santos (13%), Chapadão do Sul–Guarujá (11%), Dourados–Maringá (11%) e São Gabriel do Oeste–Paranaguá (11%).

Na comparação com maio, algumas rotas apresentaram queda, como Maracaju–Rio Grande (-13%), Maracaju–Maringá (-5%), Chapadão do Sul–Paranaguá (-3%) e Sidrolândia–Santos (-3%). Em contrapartida, houve aumentos em Ponta Porã–Maringá (30%), Dourados–Maringá (12%), Sidrolândia–Maringá (9%), São Gabriel do Oeste–Paranaguá (8%) e Ponta Porã–Santos (8%).

Exportações sustentam demanda

Conforme dados da Comex Stat/Secex, Mato Grosso do Sul exportou, em junho, 926.656 toneladas de soja e apenas 124 toneladas de milho. Apesar da redução nas exportações do cereal, o mercado interno permaneceu aquecido, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, impulsionado pela demanda de cooperativas, indústrias de proteína animal e fabricantes de ração.

Esse movimento compensou parte da redução do fluxo de cargas destinadas à exportação após o pico da safra da soja, mantendo o nível de contratação de fretes.

A Conab destaca que a combinação entre o elevado volume de embarques de soja, o início da comercialização da segunda safra de milho e o fortalecimento do consumo interno garantiu equilíbrio ao mercado de transporte rodoviário, sem pressões significativas sobre os preços.

No escoamento da produção sul-mato-grossense, os principais destinos das cargas de soja e milho foram os portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC), Santos (SP), Porto Murtinho (MS), Rio Grande (RS) e Vitória (ES), reforçando a importância dos corredores logísticos da Região Sul para as exportações do Estado. No período, Mato Grosso do Sul respondeu por 6,39% das exportações nacionais de soja, enquanto a participação nas vendas externas de milho foi considerada pouco representativa.

Compartilhe:

Mais Notícias

plugins premium WordPress