Representantes de órgãos públicos, instituições parceiras e especialistas se reúnem nesta terça-feira (4), em Campo Grande, para discutir os possíveis impactos do fenômeno El Niño em Mato Grosso do Sul e definir estratégias de prevenção diante de eventos climáticos extremos. O encontro integra a programação da Sala de Guerra, iniciativa voltada ao compartilhamento de informações técnicas e ao planejamento de ações coordenadas entre diferentes setores.
A reunião será realizada às 8h, no Slaviero Prime Hotel, e contará com a palestra “El Niño 2026–2027: o que esperar para Mato Grosso do Sul?”, ministrada pela meteorologista Ana Paula Paes, doutora e pós-doutora em Eletricidade Atmosférica pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Segundo a especialista, o objetivo é transformar o conhecimento científico em uma ferramenta de planejamento para reduzir os impactos provocados pelo fenômeno climático.
“O El Niño pode provocar alterações significativas no regime de chuvas, favorecer períodos de calor intenso, estiagens e tempestades severas, com reflexos na agricultura, nos recursos hídricos, na saúde, na infraestrutura e no setor elétrico. Antecipar esses cenários permite reduzir vulnerabilidades e ampliar a capacidade de resposta diante de eventos extremos”, afirma.
Planejamento integrado
A iniciativa busca fortalecer a integração entre instituições responsáveis por áreas estratégicas do Estado, permitindo que projeções climáticas subsidiem decisões e ações preventivas.
Para o diretor-presidente da Agência Estadual de Regulação (Agems), Carlos Alberto de Assis, a cooperação entre diferentes órgãos é fundamental para minimizar os efeitos das mudanças climáticas sobre a população e os serviços essenciais.
Segundo ele, eventos climáticos extremos podem comprometer o funcionamento da infraestrutura pública e afetar diretamente o cotidiano da população. Por isso, a troca de informações entre especialistas e gestores amplia a capacidade de antecipar riscos e organizar respostas de forma mais eficiente.
Meteorologia aplicada ao setor elétrico
No setor de distribuição de energia, as informações meteorológicas já fazem parte do planejamento operacional. A Energisa utiliza previsões climáticas aliadas à inteligência artificial, ciência de dados e ao histórico da rede elétrica para identificar áreas de maior risco, posicionar equipes com antecedência e agilizar o atendimento em situações de emergência.
De acordo com o coordenador de operação da Energisa MS, Marcelo Santana, a previsão do tempo deixou de ser apenas um dado informativo para se tornar uma ferramenta estratégica da operação.
Ele explica que o cruzamento de dados meteorológicos com informações técnicas permite antecipar ocorrências, otimizar recursos e reduzir o tempo de resposta quando tempestades ou outros eventos extremos atingem o Estado.
Sala de Guerra
A Sala de Guerra foi criada para reunir representantes de diferentes instituições em um ambiente permanente de troca de informações e planejamento. A proposta é compartilhar dados técnicos, analisar cenários e definir estratégias conjuntas para enfrentar situações que possam afetar a população, a infraestrutura e a prestação de serviços essenciais em Mato Grosso do Sul.









