Ouça a 94.9 FM DIFUSORA enquanto se mantém informado

Ouça a 94.9 FM DIFUSORA enquanto se mantém informado

Santa Casa terá terceiro presidente em duas semanas após prisão e renúncia

A crise administrativa desencadeada pela prisão de Alir Terra Lima provocou mais uma mudança no comando da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), mantenedora da Santa Casa. Heitor Miguel Scheibeler, que havia assumido a presidência em 14 de setembro, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (21).

Com a saída, o ex-presidente e atual conselheiro Heitor Rodrigues Freire voltará a comandar a instituição. A mudança já foi homologada, e a posse está prevista para segunda-feira (28), durante reunião do Conselho de Administração.

A reorganização também alcança a área executiva. Nesta quarta-feira (23), o médico Luiz Alberto Hiroki Kanamura assume a Superintendência de Gestão Médico-Hospitalar.

Kanamura já exerceu diferentes funções na administração da Santa Casa, incluindo cargos relacionados à direção clínica e à gestão hospitalar. Ele chega ao posto no momento em que a instituição enfrenta dificuldades financeiras e os reflexos da investigação criminal que atingiu sua cúpula administrativa.

Renúncia coletiva não avança

Uma proposta de mudança mais ampla no comando da Santa Casa chegou a ser apresentada aos associados, mas não avançou. Durante assembleia geral realizada em 14 de setembro, o ex-presidente Wilson Teslenco defendeu a renúncia coletiva da diretoria e a criação de uma comissão para organizar uma nova eleição.

A sugestão recebeu apoio de parte dos associados presentes, porém não foi levada adiante pela direção. Para que a renúncia coletiva e o processo sucessório fossem formalmente analisados, seria necessária a convocação de uma assembleia específica.

Teslenco fundamentou a proposta nas informações reveladas pelas investigações conduzidas pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Conselho Fiscal alertou sobre contrato

Documentos da investigação indicam que o Conselho Fiscal comunicou à Diretoria Corporativa as irregularidades identificadas no contrato firmado com a empresa Redvalue. Em agosto de 2025, o colegiado teria recomendado a suspensão imediata da contratação, mas a orientação não foi seguida.

Segundo o Ministério Público, Alir Terra Lima foi formalmente informada sobre os problemas. Mesmo após os alertas, os serviços continuaram sendo prestados, situação que, de acordo com a investigação, teria causado prejuízos financeiros ao hospital.

Para Teslenco, as informações conhecidas pela administração justificariam uma renovação completa da diretoria, e não somente a substituição dos integrantes diretamente atingidos pela investigação.

Sucessão de mudanças

Heitor Scheibeler assumiu a presidência depois que a Operação Antidotum alcançou a direção da Santa Casa. Alir Terra Lima foi presa preventivamente em 11 de setembro, ao lado de outros integrantes da administração e de um empresário.

Na condição de vice-presidente, Scheibeler assumiu a entidade três dias depois. Sua permanência, entretanto, durou apenas uma semana.

A chegada dele à vice-presidência também ocorreu após outra renúncia. Em 20 de janeiro, o engenheiro Jary de Carvalho e Castro deixou o cargo, que posteriormente passou a ser ocupado por Scheibeler.

Em menos de nove meses, a direção da ABCG passou pela renúncia de Jary, pela prisão de Alir, pela posse e posterior saída de Scheibeler e, agora, pelo retorno de Heitor Freire.

Retorno à presidência

Atual integrante do Conselho de Administração, Freire já comandou a Santa Casa em circunstâncias semelhantes. Em setembro de 2020, ele assumiu a presidência após a renúncia de Heber Xavier e permaneceu no cargo até dezembro de 2022.

Seis anos depois, Freire retorna à função por decisão do Conselho de Administração, enquanto parte dos associados defende a saída coletiva da atual direção e a realização de uma nova eleição.

Operação Antidotum

Conduzida pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a Operação Antidotum resultou em seis prisões preventivas.

Além de Alir Terra Lima, foram presos o diretor financeiro Rinaldo Hakme Romano; o diretor administrativo Alessandro Dias Junqueira; o diretor-financeiro adjunto e advogado Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa; a supervisora do Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same), Monique Gregório de Oliveira; e o empresário Mauricio Aparecido Benites, proprietário da Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda.

Jary de Carvalho e Castro também foi apontado como suspeito, mas teve o pedido de prisão preventiva negado pela Justiça. A decisão considerou que, após renunciar à vice-presidência em janeiro, ele não teria mais influência sobre a administração do hospital.

Compartilhe:

Mais Notícias

plugins premium WordPress