Em entrevista à Rádio FM 94 Difusora, de São Gabriel do Oeste, Raísa Araújo, coordenadora do projeto Cultura Robótica, e João Turina, representante da empresa Aster, mostraram que a tecnologia já está em todos os lugares — inclusive onde poucos imaginam.
Em um bate-papo repleto de exemplos práticos, a Rádio FM 94 Difusora de São Gabriel do Oeste, Raísa Araújo, coordenadora do projeto Cultura Robótica, e João Turina, representante da empresa Aster, mostraram que a tecnologia já está em todos os lugares — inclusive onde poucos imaginam.
Há mais de cinco anos percorrendo escolas públicas de todo o país, o projeto Cultura Robótica tem uma missão clara: descomplicar a tecnologia. Em vez de equipamentos caros e laboratórios sofisticados, a aposta é em materiais recicláveis e metodologia acessível.
“A gente ensina elétrica, mecânica e programação usando coisas simples. O objetivo é mostrar para a criança que robótica não é um bicho de sete cabeças. Ela está no celular, na geladeira, nas máquinas do campo”, explicou Raísa Araújo.
A coordenadora conta que o momento mais emocionante é ver o brilho nos olhos dos alunos quando algo funciona. “Quando eles conseguem acender uma luz ou fazer uma roda girar, aquilo muda tudo. Eles percebem que também são capazes de criar.”
Mais do que conhecimento técnico, o projeto busca ampliar horizontes. Em cidades onde o agronegócio é a principal atividade econômica, muitas crianças têm pais que trabalham no campo, mas nunca associaram a tecnologia à lida diária.
“Elas passam a enxergar que podem ser engenheiras, programadoras, desenvolvedoras. Viram protagonistas”, destacou Raísa. “Muitas vezes, elas apresentam soluções mais simples e brilhantes do que as nossas.”
Um dos grandes diferenciais do projeto é a formação continuada dos professores. A equipe capacita os educadores locais para que, após a passagem do grupo, as aulas de robótica continuem acontecendo. “Não adianta plantar a semente e ir embora. É preciso regar. Por isso deixamos os professores prontos para tocar o barco sozinhos.”
Do outro lado dessa ponte está João Turina, representante da Aster — empresa que apoia o projeto, explicou que o patrocínio vai muito além de uma ação de marketing.
“Nosso propósito é trabalhar para que vidas possam avançar. E isso não se faz só vendendo máquinas. Se faz investindo em educação e desenvolvimento das comunidades onde a gente está”, afirmou.
Turina lembra que o agronegócio de hoje é irreconhecível em relação há duas décadas. “Máquinas modernas têm sensores, GPS, inteligência embarcada. Em breve, teremos tratores totalmente autônomos. Mas de nada adianta ter tecnologia se não tivermos pessoas preparadas para operar, manter e inovar.”
Um dos maiores gargalos para a tecnologia rural é o acesso à internet. Turina reconhece o problema, mas destaca que soluções estão em andamento.
“Temos o projeto Conecta Aster, com torres próprias para levar sinal de qualidade às propriedades. Além disso, usamos tecnologias como o Starlink embarcado diretamente nas máquinas, garantindo conexão até em áreas remotas.”
Para treinar profissionais que já estão no mercado, a empresa aposta em realidade virtual. “O operador aprende a manusear o equipamento em um ambiente digital seguro, sem riscos. Quando ele vai para o campo, já está familiarizado com tudo.”
Raísa, que já viajou por dezenas de cidades brasileiras, conta que a realidade das escolas varia muito. “Em alguns lugares, a estrutura é excelente. Em outros, falta até energia elétrica. Mas o engajamento das crianças e dos professores é universal.”
Em São Gabriel do Oeste, a recepção foi especialmente calorosa. “Ficamos surpresos positivamente com o envolvimento da comunidade. Alunos, pais, professores — todos abraçaram a ideia.”
Ela faz questão de reforçar o princípio do projeto: “A metodologia é a mesma para todos. Não importa se a cidade é rica ou pobre, se tem internet ou não. Toda criança merece essa oportunidade, porque é dela que depende o futuro.”
Ao final da conversa, ficou evidente um ponto em comum entre educação e inovação: o futuro não espera. Ele já começou — e começa na sala de aula, com mãos pequenas manuseando fios, motores e garrafas pet. O projeto Cultura Robótica planta a curiosidade. Empresas como a Aster abrem os caminhos. E cidades como São Gabriel do Oeste mostram que, quando esses mundos se encontram, o resultado é uma geração mais preparada, criativa e, acima de tudo, protagonista do próprio destino.
Tony Franco










