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Mato Grosso do Sul terá de esperar até 2027 por leilão da Malha Oeste

Mato Grosso do Sul terá de esperar até 2027 pela realização do leilão da Malha Oeste, ferrovia estratégica para o escoamento da produção estadual e para a integração logística com São Paulo. O Ministério dos Transportes informou ao Tribunal de Contas da União (TCU) que a licitação dos 1.644 quilômetros da linha férrea, entre Corumbá e Mairinque (SP), deverá ocorrer somente em março do próximo ano.

O novo cronograma representa mais um adiamento do certame. Inicialmente, o leilão estava previsto para julho de 2026 e, posteriormente, passou a ser projetado para novembro ou dezembro deste ano.

A previsão para março de 2027 consta no Acórdão nº 2.047/2026, aprovado pelo TCU no último dia 5. No documento, o Ministério dos Transportes apresenta à Corte de Contas um cronograma atualizado para o processo de concessão.

O adiamento ocorre depois de o TCU interromper, em 20 de julho, a análise da licitação. O tribunal identificou falhas e lacunas na documentação encaminhada pelo governo federal, incluindo informações consideradas incompletas ou desatualizadas e ainda vinculadas ao antigo modelo de relicitação, abandonado no ano passado.

A nova previsão também contrasta com declarações recentes do ministro dos Transportes, George Santoro. Durante agenda oficial em Campo Grande, ele havia afirmado que o leilão da Malha Oeste seria realizado ainda em 2026. Dias depois, porém, a Pasta comunicou ao TCU um cronograma que empurra o certame para o próximo ano.

O processo continua dependendo do envio de novas informações ao tribunal. O relator, ministro Odair Cunha, questionou, entre outros pontos, se será necessária a realização de uma nova audiência pública diante da mudança do modelo de relicitação para licitação.

O TCU também solicitou uma versão atualizada da modelagem econômico-financeira da concessão, documento que reúne projeções de custos, receitas e rentabilidade do empreendimento, além de respostas para outros 22 questionamentos técnicos e financeiros.

Com a análise suspensa, os próprios prazos internos do tribunal praticamente inviabilizam a realização do leilão neste ano. A área técnica do TCU dispõe de 75 dias para avaliar os procedimentos prévios e as regras do certame. Depois disso, o relator ainda conta com mais 15 dias para apresentar parecer.

Contrato prorrogado

O novo atraso também levou o governo federal a prorrogar por 180 dias, a partir de 30 de junho, o contrato com a Rumo Malha Oeste, atual concessionária da ferrovia. A União deverá repassar R$ 26 milhões à empresa durante esse período.

Durante a prorrogação, a concessionária não ficará responsável pelo transporte ferroviário. As obrigações se concentram na guarda, vigilância, manutenção essencial e monitoramento dos ativos da ferrovia.

O TCU já havia criticado os sucessivos atrasos e as falhas no planejamento para assegurar a continuidade da operação ferroviária. No caso da Malha Oeste, a Corte apontou que os problemas acabaram resultando na suspensão do serviço.

Três possibilidades para a concessão

A proposta elaborada pelo Ministério dos Transportes prevê três formatos possíveis para tentar viabilizar a nova concessão.

Na primeira alternativa, será oferecida a totalidade dos 1.644 quilômetros da Malha Oeste, entre Corumbá e Mairinque.

Caso não apareçam interessados, o governo poderá colocar em disputa o chamado “Objeto B”, com 1.325,5 quilômetros entre Corumbá e Bauru (SP), em bitola larga.

A terceira possibilidade, denominada “Objeto C”, prevê a concessão de 906,98 quilômetros entre Corumbá e Três Lagoas. Todos os modelos incluem os trechos ferroviários entre Corumbá e Ladário.

Com o novo cronograma apresentado ao TCU, a definição sobre o futuro da Malha Oeste, considerada uma das principais estruturas logísticas de Mato Grosso do Sul, fica novamente adiada e deverá ocorrer, na melhor das hipóteses, a partir de março de 2027.

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