Mário Gazin ministra palestra em São Gabriel do Oeste e defende humildade, trabalho e gestão de pessoas

O empresário Mário Gazin esteve em São Gabriel do Oeste nesta segunda-feira (26) para ministrar uma palestra no auditório da Associação Comercial e Industrial de São Gabriel do Oeste (Acisga). Antes do evento, ele concedeu entrevista à Rádio 94.9 Difusora, na qual compartilhou sua trajetória, sua filosofia de gestão e conselhos para jovens e empresários.

Gazin iniciou a conversa falando sobre o que chama de “balde invisível”: cada pessoa nasce com um balde vazio, que muitos tentam preencher com dinheiro, terras, fazendas e carros — mas que só se enche de verdade com respeito, confiança e tranquilidade, conquistados aos poucos, com o tempo.

Ele contou que começou comprando pequenas chácaras em sociedade e aprendeu que a união permite comprar mais barato, dividir custos e obter resultados maiores. “Essa é a força da sociedade: todos crescem juntos”, afirmou. Na Gazin, segundo ele, as metas são claras: crescimento de 15% ao ano. Se o lucro passa de 6%, a empresa reinveste e contrata mais pessoas. No ano passado, o índice chegou a 19%.

O empresário também destacou que todo o valor que recebe por palestras é destinado ao Hospital do Câncer. “Só sobra o dinheiro da minha viagem — por isso vou de carro, não de avião”, revelou.

Questionado sobre o maior desafio que enfrentou, Gazin foi direto: “Até hoje não vivo na zona de conforto.” Ele comparou a rotina no campo — em que cavava cem buracos por dia para fazer cercas — com a resistência de quem prefere a comodidade. “A máquina não faz o buraco com o mesmo cuidado. Quem sai da zona de conforto, cresce. Quem fica no conforto, para.”

A maior dificuldade, segundo ele, foram os anos 1980, a chamada “década perdida”, quando o dinheiro não valia nada e sobreviver era muito difícil. “Sobreviver àquilo ensinou mais do que qualquer faculdade poderia ensinar”, avaliou.

Sobre a tecnologia, Gazin ponderou que o avanço traz comodidade, mas também riscos, e que em quinze anos poucas famílias controlarão a tecnologia do mundo. Ainda assim, fez questão de tranquilizar: “A tecnologia não substitui pessoas — sempre precisará de alguém por trás, orientando. A inteligência artificial também não trabalha sozinha.”

Aos empresários, deixou um recado: “Não tem atalho. Quem não erra, não cresce. O medo de errar é o freio maior.” Para ele, é possível identificar de longe qual empresa vai crescer e qual vai acabar — muitas vezes a diferença está na forma como cada uma cuida da herança recebida.

Gazin relembrou que, ao chegar ao ano 2000, seu sonho era ter mil colaboradores. “Graças a Deus, chegamos a 1.118 pessoas.” Na hora de escolher seu sucessor, optou por alguém de dentro da empresa. “O presidente atual eu tirei do garimpo quando ele tinha treze anos. Meu maior gerente de Santarém também veio do garimpo. Formar líderes de dentro é encher o balde juntos, devagar”, disse. Segundo ele, trazer alguém de fora quase sempre gera conflito. “A mudança dói, mas é necessária.”

Durante a palestra, exibiu um vídeo que, segundo ele, emociona muita gente e custou apenas cinco mil reais para ser produzido. A mensagem: “Não foi eu que fiz. Foi nós juntos.”

Dirigindo-se aos jovens, Gazin alertou sobre a ansiedade de crescer rapidamente. “Quando veem uma oportunidade, querem pegar tudo de uma vez e acabam se perdendo. O Brasil é cheio de oportunidades, mas ninguém fica rico de um dia para o outro. É trabalhando muito, todos os dias. Tenham paciência.”

Ele aconselhou os mais jovens a “arrumar a vida enquanto são solteiros” e a demorar um pouco mais para constituir família, já que, com os filhos, as prioridades mudam. “Não tenham medo de trabalhar. Vocês não precisam carregar sacos de sessenta quilos como eu fazia, mas precisam botar a mão na massa do mesmo jeito.” E completou: “Entrem na escola, na vida, dizendo: ‘eu não sei’. Quem acha que já sabe tudo, não aprende nada. Quem tem humildade, esse vai longe.”

Questionado se mudaria algo do passado, brincou: “Casa mais tarde”. Em seguida, afirmou que se casaria com a mesma mulher, com quem está há quase sessenta anos. “Não é fácil, mas vale a pena.”

Ao encerrar a entrevista, Mário Gazin agradeceu aos clientes de São Gabriel do Oeste. “Vocês nos acolheram e nos ajudaram a crescer. Hoje somos quase quatrocentos negócios entre lojas, fábricas e parceiros. Isso é mérito de vocês. Que Deus abençoe cada família.”

Tony Franco

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