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Fiagro soma R$ 65,8 bilhões e investidores profissionais concentram 71% dos recursos

Cinco anos depois de sua criação, o Fundo de Investimento em Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro) alcançou patrimônio líquido de R$ 65,8 bilhões em julho de 2026, ao mesmo tempo em que passou a reunir mais de 1,2 milhão de contas de cotistas. Apesar da ampla participação do público em geral, a maior parcela dos recursos permanece concentrada entre investidores qualificados e profissionais.

Levantamento elaborado pela Oliveira Trust, a partir de dados públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mostra que as classes destinadas ao público geral representavam 92,4% das contas, mas respondiam por apenas 28,9% do patrimônio.

Na outra ponta, os fundos voltados a investidores qualificados e profissionais concentravam somente 7,6% das contas, mas detinham 71,1% dos recursos aplicados no segmento. Os dados levam em consideração contas de cotistas e não necessariamente investidores individuais.

O cenário evidencia que o crescimento do Fiagro vai além da entrada de pessoas físicas no financiamento do agronegócio. Paralelamente à expansão dos fundos negociados em bolsa, o mercado desenvolveu operações direcionadas a investidores de maior porte, com diferentes estruturas de ativos, garantias e fluxos financeiros.

Segundo o CEO da Oliveira Trust, José Alexandre Freitas, os primeiros anos do Fiagro demonstraram a existência de demanda para aproximar o mercado de capitais do setor agropecuário. Para ele, a evolução do segmento passa agora pela capacidade de atender investidores e empresas com diferentes perfis, sem perder de vista governança, transparência e controle.

Negociação

A concentração dos recursos também varia conforme o ambiente de negociação. As classes negociadas em bolsa somam 69,7% das contas, porém representam 33% do patrimônio.

Já os veículos negociados em balcão organizado ou fora de mercados organizados concentram, juntos, 67% dos recursos, embora representem apenas 30,3% das contas. O quadro reforça a existência de duas frentes no mercado: uma mais pulverizada, com ampla presença de pequenos investidores, e outra predominantemente institucional.

Nas classes destinadas ao público geral, a maior parte do dinheiro está investida em títulos de securitização. Esse tipo de ativo, que inclui os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), representa 62,4% dos recursos.

Outros 21,3% estão aplicados em cotas de fundos, enquanto imóveis rurais respondem por 7,6% do total. Títulos de crédito ligados ao agronegócio, entre eles as Cédulas de Produto Rural (CPRs), correspondem a 2,8%.

Captação cresce em 2026

Os Fiagros também mantiveram fluxo positivo de investimentos em 2026. Somente em julho, a captação líquida chegou a R$ 755 milhões. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, as entradas somaram R$ 6,2 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

O desempenho ocorreu em um período no qual a indústria brasileira de fundos registrou resgate líquido de R$ 25,3 bilhões. Fiagros, Fundos de Investimento em Participações (FIPs) e ETFs foram as únicas categorias que fecharam o mês com fluxo positivo.

Entre as medidas consideradas importantes para ampliar o mercado estão o crescimento da base de investidores em ativos ligados ao agronegócio, a atração de capital estrangeiro, melhorias no registro de garantias e o fortalecimento da governança e da transparência das empresas e produtores financiados.

A avaliação é de que a próxima etapa de expansão dos Fiagros dependerá não apenas do aumento do patrimônio e do número de investidores, mas também da criação de estruturas capazes de atender diferentes perfis. A consolidação do segmento deverá passar ainda por regras claras, informações comparáveis e infraestrutura que permita ampliar a escala das operações.

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