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Exportações de MS para os EUA desaceleram em meio à incerteza sobre tarifas de Trump

As exportações de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos perderam ritmo nos últimos meses, refletindo a incerteza gerada pela possibilidade de ampliação das tarifas de importação anunciadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Ainda assim, o Estado encerrou o primeiro semestre de 2026 com crescimento nas vendas ao mercado americano em relação ao mesmo período do ano passado.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio do sistema Comex Stat, apontam que Mato Grosso do Sul exportou US$ 371,02 milhões aos Estados Unidos entre janeiro e junho deste ano. O resultado representa aumento de 14% frente aos US$ 325,37 milhões registrados no primeiro semestre de 2025.

O avanço também foi expressivo em volume. No período, foram embarcadas 437,49 mil toneladas de produtos, alta de 33,6% em comparação às 327,39 mil toneladas exportadas no mesmo intervalo do ano anterior.

Apesar do desempenho positivo no acumulado do ano, os números mais recentes indicam perda de fôlego. Depois de alcançar US$ 73,39 milhões em exportações em abril, as vendas caíram para US$ 36,53 milhões em maio, redução superior a 50%. Em junho, houve leve recuperação, com US$ 44,81 milhões, mas o resultado permaneceu abaixo do registrado nos primeiros quatro meses de 2026.

O cenário acompanha o comportamento das exportações brasileiras para os Estados Unidos. Levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) mostra que os embarques nacionais ao mercado norte-americano recuaram 13% no primeiro semestre, atingindo o menor nível da série histórica para o período. Com isso, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras caiu para 9,4%, enquanto mercados como China e União Europeia ampliaram sua participação.

A preocupação do setor produtivo é de que a situação possa se agravar caso o governo dos Estados Unidos confirme novas sobretaxas sobre produtos brasileiros após o encerramento das negociações comerciais entre os dois países, previsto para 15 de julho. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que cerca de 4,1 mil produtos brasileiros, equivalentes a US$ 14,9 bilhões em exportações, poderão ser impactados pelas novas medidas.

A pauta de exportações de Mato Grosso do Sul para os Estados Unidos permanece concentrada principalmente na proteína animal. As carnes bovinas desossadas e congeladas lideram as vendas, com US$ 190,36 milhões no semestre, respondendo por mais da metade de tudo o que o Estado comercializou com o mercado norte-americano.

Na sequência aparecem ferro fundido bruto, com US$ 74,23 milhões, pastas químicas de madeira, com US$ 59,37 milhões, carnes bovinas frescas ou refrigeradas, que somaram US$ 20,08 milhões, além de sebo bovino, com US$ 9,8 milhões. Também integram a pauta de exportações celulose, tilápia, couro bovino, minério de ferro, fécula de mandioca, tapioca e outros produtos agroindustriais.

Diante do ambiente de incerteza, a Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) tem reforçado o diálogo com representantes norte-americanos. Durante evento realizado em São Paulo em comemoração aos 250 anos da independência dos Estados Unidos, o diretor de Relações Internacionais da entidade, Aurélio Rocha, destacou a importância de fortalecer os laços comerciais entre Mato Grosso do Sul e o mercado americano.

Segundo ele, a estratégia é ampliar o diálogo institucional, fortalecer as relações bilaterais e criar novas oportunidades de negócios capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico do Estado.

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