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Pesquisadores alemães avaliam produção no Pantanal e podem abrir portas para carne de MS na Europa

A carne bovina produzida no Pantanal sul-mato-grossense pode ganhar um importante impulso para ampliar sua presença no mercado europeu. A visita técnica de pesquisadores do Instituto Thünen, da Alemanha, a propriedades rurais de Corumbá e à Embrapa Pantanal faz parte de um estudo sobre sistemas de produção sustentável que poderá influenciar futuras políticas e critérios comerciais adotados pela Alemanha e por outros países da Europa.

A iniciativa é vista pelo setor produtivo como uma oportunidade para reforçar a credibilidade da pecuária pantaneira, reconhecida pelo modelo de criação extensiva aliado à conservação ambiental. Mato Grosso do Sul possui um dos maiores rebanhos bovinos do Brasil, e Corumbá concentra cerca de 1,8 milhão de cabeças de gado, com produção voltada principalmente para a cria, abastecendo outras regiões do Estado.

A missão técnica integra uma estratégia do governo alemão para conhecer diferentes sistemas de produção agropecuária ao redor do mundo, especialmente da cadeia de proteína animal. O objetivo é avaliar a relação entre sustentabilidade, preservação ambiental e qualidade dos produtos, fatores que vêm ganhando peso nas exigências do mercado europeu.

Durante a passagem pelo Pantanal, realizada entre os dias 8 e 13 de junho, os pesquisadores Richard Fischer e Caroline Salomão visitaram a Embrapa Pantanal, propriedades rurais na região da Nhecolândia, além de manterem encontros com produtores e representantes da cadeia frigorífica de Corumbá.

O presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Stefano Santa Lucci Rettore, acompanhou parte da programação e destacou que a visita permitiu apresentar, na prática, o modelo de produção desenvolvido no Pantanal.

Segundo ele, os pesquisadores puderam conhecer áreas de criação de gado, observar a preservação da vegetação nativa e compreender como a atividade pecuária convive há décadas com a conservação do bioma. Para Rettore, esse contato direto contribui para desfazer percepções equivocadas sobre a produção pantaneira e evidencia o compromisso dos produtores com práticas sustentáveis.

Uma das fazendas visitadas foi a Novo Horizonte, localizada na região do Porto da Manga, na Nhecolândia. Além da criação de bovinos, a propriedade é referência na realização de leilões pecuários, movimentando cerca de R$ 10 milhões por mês em negociações.

O Instituto Thünen exerce na Alemanha papel semelhante ao da Embrapa no Brasil, produzindo estudos técnicos que subsidiam políticas públicas e acordos comerciais. Desde a realização da COP30, em 2025, a instituição intensificou análises sobre cadeias produtivas e regulamentações relacionadas ao desmatamento, desenvolvendo modelos econômicos que orientam decisões do mercado alemão e europeu.

Após estudos em diferentes países, incluindo o Paraguai, a equipe iniciou visitas regionalizadas para compreender as particularidades de cada sistema produtivo. As informações coletadas no Pantanal deverão compor um relatório técnico com divulgação prevista para agosto.

A expectativa do setor é que os resultados reforcem o reconhecimento internacional da pecuária pantaneira e ampliem oportunidades de exportação para a carne produzida em Mato Grosso do Sul. O tema também deve ganhar espaço durante a Feira Internacional Agropecuária do Pantanal (Feapan), programada para setembro, em Corumbá.

Além da análise dos sistemas produtivos, o instituto alemão defende a adoção de compromissos internacionais de rastreabilidade e não desmatamento. A partir de 2026, empresas que comercializam produtos como carne, soja, café, madeira e óleos deverão comprovar que suas cadeias produtivas não estão associadas ao desmatamento, seguindo protocolos internacionais de sustentabilidade.

O fortalecimento desse mercado ocorre em um momento de crescimento das exportações do agronegócio sul-mato-grossense. Dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) mostram que, entre janeiro e maio deste ano, o setor exportou US$ 4,49 bilhões, alta de 10,3% em relação ao mesmo período de 2025.

A carne respondeu por 25,3% da receita obtida com as exportações, somando US$ 1,13 bilhão, crescimento de 37,6% na comparação anual. A China permanece como principal destino dos produtos do agronegócio estadual, respondendo por 51,1% das vendas externas, enquanto a União Europeia representa 11,4% do faturamento, seguida pelos Estados Unidos e pelo Vietnã, que também ampliou significativamente suas compras de produtos sul-mato-grossenses.

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