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Divisórias em aquários ajudam a conter agressões entre tilápias

A instalação de divisórias em aquários pode melhorar as condições de bem-estar de tilápias-do-Nilo utilizadas em pesquisas. Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com o Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), mostrou que as barreiras impedem o contato direto entre os animais, limitando as agressões associadas à disputa por posições na hierarquia do grupo.

A pesquisa comparou o comportamento e os indicadores de estresse de peixes mantidos em aquários com e sem separações individuais. O experimento durou 17 dias, dos quais dois foram destinados à aclimatação e 15 à avaliação dos animais.

Foram utilizados seis aquários de 300 litros, equipados com sistema de recirculação de água. Três receberam divisórias físicas e os demais permaneceram sem barreiras. Após a avaliação biométrica inicial, os pesquisadores colocaram três tilápias em cada recipiente.

Durante o experimento, a equipe observou diariamente o comportamento dos peixes, possíveis sinais de doenças e a ocorrência de mortalidade. Também acompanhou a qualidade da água, considerando concentração de amônia, oxigênio dissolvido, pH, temperatura e condutividade elétrica.

Os animais receberam ração comercial diariamente, em quantidade equivalente a 3% da biomassa, e foram mantidos sob um regime de 10 horas de luz e 14 horas de escuro. Ao término da pesquisa, passaram por nova avaliação biométrica e coleta de sangue para análise de glicemia, hematócrito e proteína plasmática total.

Os exames sanguíneos não apontaram diferenças significativas entre os dois grupos. As observações comportamentais, porém, mostraram que, nos aquários sem divisórias, indivíduos dominantes perseguiam e atacavam os demais.

Nos recipientes divididos em baias individuais, alguns peixes também demonstraram agressividade, mas as barreiras impediram o contato físico entre eles.

“Os resultados mostram que uma estrutura simples, como a utilização de divisórias, pode reduzir as interações agressivas entre os peixes e contribuir para melhores condições de bem-estar durante os experimentos”, afirma Víctor Biguetti, bolsista da UniFAJ.

Esse comportamento está relacionado à formação de hierarquias sociais entre as tilápias. Os indivíduos dominantes podem limitar o acesso dos outros peixes ao alimento e ao espaço disponível, criando condições desfavoráveis para os animais subordinados.

Os resultados reforçam a necessidade de avaliar o bem-estar dos peixes também por meio de seu comportamento, além dos indicadores fisiológicos.

“Essa observação demonstra a importância da padronização de metodologias para uso dos biomarcadores que sejam mais adequados para cada situação e ambiente”, explica Márcia Ishikawa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente.

Para Julio Queiroz, também pesquisador da unidade, a adoção de estruturas que auxiliem o manejo deve integrar os cuidados na realização dos estudos.

“Associar ferramentas estruturais com as técnicas laboratoriais faz parte das boas práticas de manejo laboratorial na condução dos experimentos em ambiente controlado”, afirma.

O trabalho foi desenvolvido por Víctor Biguetti, da UniFAJ; Mariana de Oliveira Nascimento, bolsista da Faped; e Julio Queiroz, Alfredo Luiz, Claudio Jonsson, Vera Castro e Márcia Ishikawa, da Embrapa Meio Ambiente.

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