O Brasil terá outubro como praticamente a única janela segura para embarcar à China parte da cota de carne bovina que deverá ser cedida pelo Uruguai. A operação pode envolver aproximadamente 80 mil toneladas, mas ainda depende da autorização das autoridades chinesas.
O acordo foi anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após encontro com o presidente uruguaio, em Nova York. O Uruguai possui uma cota de 324 mil toneladas de carne bovina para o mercado chinês em 2026 e pretende transferir ao Brasil o volume que não deverá utilizar.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a negociação precisa definir um mecanismo que permita contabilizar a carne produzida no Brasil dentro da cota uruguaia.
Além da aprovação chinesa, o prazo é considerado o principal obstáculo. O transporte marítimo entre Brasil e China leva, em média, de 45 a 60 dias. Por isso, os embarques precisariam ser concentrados em outubro para que a mercadoria ainda seja desembaraçada no mercado asiático em 2026.
As cargas enviadas a partir de novembro correm o risco de chegar oficialmente à China apenas em 2027, o que reduziria a possibilidade de aproveitamento integral das 80 mil toneladas neste ano.
De acordo com Iglesias, o volume pode ser absorvido pela capacidade exportadora brasileira. A dificuldade será reunir os animais, processar a carne e realizar os embarques em um intervalo curto. A quantidade estimada corresponde a aproximadamente 320 mil a 400 mil cabeças de gado.
Uma autorização rápida também poderá impulsionar as compras de animais habilitados para exportação à China durante outubro. O movimento ocorreria no mesmo período em que os frigoríficos começam a preparar as cargas destinadas à cota chinesa de 2027.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) também alertou para o prazo apertado. Segundo a entidade, a negociação, o processamento, o embarque e o transporte da proteína exigem uma definição rápida para que a parcela cedida pelo Uruguai seja utilizada ainda neste ano.
Para 2027, a medida poderá se tornar uma alternativa relevante. O Brasil terá uma cota própria de 1,128 milhão de toneladas e, mantido o atual ritmo das vendas, existe a possibilidade de esse limite ser atingido nos primeiros meses do ano.








