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Análise do solo e adubação equilibrada ajudam a melhorar a produção no campo

O uso de esterco na adubação pode favorecer a produtividade, mas exige acompanhamento para evitar o acúmulo de nutrientes e danos às plantas. A análise do solo e dos dejetos permite ajustar as aplicações às necessidades da lavoura, reduzindo desperdícios e preservando a fertilidade da terra.

Segundo Evandro, coautor do Manual de Calagem, o uso intensivo de esterco pode elevar excessivamente os níveis de potássio e fósforo. “Nestes casos, o excesso de adubação pode causar efeito salino, que é bem prejudicial às plantas”, explica.

Para aproveitar os nutrientes dos dejetos, a orientação é avaliar sua composição em laboratório ou utilizar um densímetro, seguindo os parâmetros disponíveis no boletim técnico “Avaliação da qualidade de dejeto líquido de suíno”.

Outra prática recomendada é a adubação verde na entressafra. Além de produzir palhada e promover a ciclagem de nutrientes, as plantas de cobertura ajudam a melhorar a estrutura do solo.

“Além de nutrir o solo, as raízes dessas plantas deixam a terra mais fofa, pronta para receber a semente”, afirma Evandro, que também assina o boletim técnico “Qualidade do solo e da água surgente em áreas de uso intensivo e continuado de esterco de suínos como fertilizante”.

Na propriedade de Adriano Girardi, em Santa Helena, esses cuidados fazem parte da rotina. Depois de passar um período em Mato Grosso, ele voltou ao campo e investiu no manejo dos 36 hectares da família. A área reúne 25 hectares de milho e seis de pastagem, enquanto 25 vacas produzem 56 mil litros de leite por mês.

O produtor procura aproveitar a adubação orgânica sem dispensar as correções químicas necessárias. Para ele, conhecer as condições da terra é fundamental para investir corretamente.

“A análise de solo é como uma receita de bolo. Ela aponta o que o solo precisa e a gente para de jogar dinheiro fora, comprando mais fertilizante do que a terra precisa”, afirma.

Com a produção de milho em 170 sacas por ano, Girardi decidiu ampliar o cultivo com o arrendamento de mais 15 hectares. A maior parte da colheita é destinada à alimentação do rebanho, mas uma parcela também abastece a indústria de fubá.

Antes, o agricultor comprava cama de aves para a adubação. Há dois anos, investiu em uma esterqueira, buscando manter a capacidade produtiva da propriedade ao longo do tempo.

“A gente tem que pensar no amanhã, no que vai deixar para os filhos e netos. E uma terra bem nutrida produz mais porque a planta tem menos doença e menos ataque de praga”, diz.

O extensionista rural Marciano Frosi, que acompanha a propriedade, destaca também a rotação de plantas de cobertura na entressafra, com espécies como aveia, nabo, milheto e ervilhaca. O plantio em nível é outra medida adotada para evitar a erosão.

Conforme Frosi, a presença da suinocultura, da bovinocultura e da avicultura na região torna necessário orientar os produtores sobre o uso adequado dos resíduos na fertilização.

“Adriano se destaca não só por implementar as correções técnicas necessárias, como está sempre pesquisando alternativas para diminuir o uso de agrotóxicos”, ressalta.

Em Águas Frias, a propriedade do técnico agrícola André Balena também se tornou referência. Produtor de leite e suínos, ele cultiva 5,6 hectares de milho para complementar a alimentação do gado.

Além das análises regulares do solo, Balena implantou um sistema de fertirrigação para a adubação orgânica. A propriedade também foi aberta à pesquisa e à extensão para avaliar, durante três anos, os ganhos de fertilidade proporcionados pelo manejo.

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