Ouça a 94.9 FM DIFUSORA enquanto se mantém informado

Ouça a 94.9 FM DIFUSORA enquanto se mantém informado

Tereza Cristina defende soluções permanentes para crédito rural e destaca fundo garantidor para o agro

A vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina (PP-MS), afirmou que a crise do crédito rural exige medidas emergenciais para aliviar o endividamento dos produtores, mas ressaltou que o setor precisa avançar em soluções estruturantes capazes de garantir maior segurança financeira e ampliar o acesso ao financiamento nos próximos anos.

O cenário do crédito rural tem sido marcado pelo aumento da inadimplência, impulsionado pela combinação de sucessivas perdas climáticas, queda nos preços das commodities e alta dos custos de produção. Segundo estimativas do Banco Central, mais de R$ 202 bilhões da carteira de crédito rural já eram considerados ativos problemáticos em maio deste ano, entre operações inadimplentes, renegociadas, prorrogadas ou em atraso. Considerando também as dívidas privadas, o volume ultrapassa R$ 250 bilhões.

Para Tereza Cristina, a Medida Provisória nº 1.376/2026 representa uma resposta imediata para evitar que milhares de produtores fiquem sem acesso ao crédito na safra 2026/2027. A parlamentar destacou que a proposta incorporou pontos importantes defendidos pela bancada ruralista, como a possibilidade de renegociação das Cédulas de Produto Rural (CPRs) e a ampliação dos prazos de pagamento.

“A medida provisória resolve o problema imediato, porque, com o Plano Safra já vigente, muita gente não conseguiria participar e ter acesso ao crédito”, afirmou a senadora.

Além da renegociação das dívidas, Tereza Cristina comemorou a inclusão de um dos principais pleitos defendidos por ela: a criação de um fundo garantidor para a agropecuária. A proposta nasceu de uma emenda apresentada pela senadora ao projeto que trata da renegociação dos débitos rurais.

O fundo poderá receber recursos da União, produtores rurais, estados, municípios e instituições financeiras. O objetivo é oferecer garantias às operações de crédito, reduzindo os riscos para bancos e cooperativas, especialmente em períodos de perdas provocadas por eventos climáticos extremos.

A avaliação dentro da FPA é de que o mecanismo representa um avanço estrutural para o sistema de financiamento do agro. Segundo o vice-presidente da bancada na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), o fundo garantidor cria uma política de longo prazo para dar maior estabilidade ao crédito rural.

Outra iniciativa defendida pela Frente Parlamentar é a implantação do Open Finance do Agro, prevista no Projeto de Lei nº 3.123/2025. A proposta cria um sistema de compartilhamento de informações do produtor rural, permitindo que instituições financeiras tenham acesso, mediante autorização do agricultor, a diferentes bases de dados para avaliar operações de crédito.

Na avaliação dos defensores da proposta, o novo modelo poderá reduzir custos operacionais, facilitar a análise de risco e permitir condições mais competitivas de financiamento, com juros potencialmente menores para os produtores.

Paralelamente, a FPA também trabalha na chamada Lei do Agro 3, um pacote de medidas voltadas à modernização do crédito rural. Entre as propostas está a ampliação da participação de capital estrangeiro no financiamento da produção agrícola, medida que, segundo estimativas da bancada, poderá acrescentar até R$ 800 bilhões na oferta de crédito ao setor.

A intenção é ampliar as fontes de financiamento e garantir que pequenos e médios produtores também tenham acesso a mecanismos hoje utilizados principalmente por grandes grupos exportadores. Com isso, a expectativa da bancada é tornar o sistema de crédito rural mais robusto, competitivo e menos vulnerável às oscilações econômicas e climáticas.

Compartilhe:

Mais Notícias

plugins premium WordPress