A senadora Tereza Cristina (PP-MS) defendeu que não seja ainda acionada a lei de reciprocidade econômica, relatada por ela no Congresso, contra as novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros anunciadas pelos Estados Unidos. “A reciprocidade deve ser usada quando você esgota todas as fases de negociação. Então, eu acho que o Brasil vai ter de se esforçar um pouco mais nessa negociação, sentar mais à mesa, ter paciência. Esse é o papel do Executivo. Nós, aqui no Congresso, podemos ajudar com a diplomacia parlamentar, mas é dever do governo federal tratar com os Estados Unidos”, disse.
Tereza Cristina defendeu que se espere até 15 de julho, prazo previsto para a publicação das medidas pelo governo norte-americano, para avaliar as medidas.”O que me preocupa – e vou me aprofundar nisso agora – é saber, se isso se mantiver até 15 de julho, como se deu a reversão desse processo em outros países que já foram alvo da seção 301″, disse. “O Brasil já teve algumas sanções também através da 301, em outros produtos. Mas é preciso saber o tempo que demora, qual o dever de casa que nós precisamos fazer para retomar a normalidade”, explicou.
“Então, vamos analisar isso com calma e ver como é que nós podemos reverter essa situação”, acrescentou a senadora. “A gente torcia para que isso não acontecesse. Alerto para essa bendita 301 desde o dia em que nós voltamos da missão aos Estados Unidos, em julho passado”, lembrou. “A grande preocupação era saber como é que essa investigação se daria, porque ela é muito ampla, e onde chegaria. E infelizmente ela chegou onde a gente viu: fala do Pix, de desmatamento, de aumento de tarifas”, enumerou.
Na avaliação da senadora, os fatos impactam, novamente, as relações comerciais do Brasil com os Estados Unidos. “A gente terá uma tarifa de 25% em vários produtos; não recai sobre tudo que exportamos, não foi horizontal: não vale para suco de laranja, algumas carnes, café, frutas e coisas que os Estados Unidos precisam que o Brasil forneça, explicou. “Mas a medida retira muita gente que poderia estar trabalhando com os Estados Unidos, que é um mercado muito importante, principalmente para o agro brasileiro. Ela retira, enfim, através dessas tarifas, e inviabiliza, na verdade, alguns produtos de exportação, sobretudo da indústria”, concluiu.
Tereza Cristina disse ter esperanças de que, com a chegada do novo embaixador americano,”a gente abra novas conversas, mais de perto”. “Enfim, eu acho que nós nunca podemos fechar portas. E eu acho que toda essa situação é mais um motivo para a gente estar mais ativo nessa diplomacia parlamentar também, que também ajuda”, finalizou.










