A senadora Tereza Cristina (PP-MS) criticou o Plano Safra Empresarial 2026/2027, anunciado pelo governo federal nesta terça-feira (30), e afirmou que os números apresentados não refletem um crescimento real dos recursos destinados ao setor agropecuário. Segundo ela, houve redução no crédito para custeio e comercialização, além de uma queda expressiva nas linhas de financiamento com juros subsidiados.
“Não tem recorde algum; só na propaganda oficial. Houve, na verdade, redução de 30% nos valores para custeio”, declarou a parlamentar. Para Tereza Cristina, apesar de uma pequena redução nas taxas de juros, o crédito continua caro para os produtores rurais. “Os juros caíram um pouquinho, mas continuam altíssimos para o bolso dos agricultores, o que dificulta a tomada do crédito nos bancos”, afirmou.
A senadora também chamou atenção para a ausência de medidas voltadas ao Seguro Rural. Segundo ela, o governo não apresentou soluções para recompor os recursos do programa nem para enfrentar o crescente endividamento dos produtores. “Nenhuma palavra foi dita sobre o importantíssimo seguro rural, que teve os recursos reduzidos à metade em 2025 e em 2026. Some-se a isso a falta de solução do governo para o endividamento do produtor e temos realmente motivos para preocupação com o financiamento da safra 2026/2027”, disse.
Embora o governo tenha anunciado um volume total de R$ 525,1 bilhões para o Plano Safra, valor 1,7% superior ao do ciclo anterior, os números indicam redução em áreas consideradas estratégicas para o setor. Os recursos destinados ao custeio e à comercialização caíram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões, recuo de 7,18%. Já o montante de crédito com juros equalizados, que conta com subsídio do Tesouro Nacional, passou de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, queda de 14,7%.
Na avaliação de representantes do setor, a diminuição dos recursos equalizados tende a ampliar a dependência de linhas de crédito com custo financeiro mais elevado, restringindo o acesso dos produtores ao financiamento da atividade agrícola.
O governo destacou o aumento dos recursos para investimentos, que passaram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões. No entanto, uma análise detalhada mostra que, das 12 principais linhas de investimento com juros controlados, 11 tiveram redução na disponibilidade de recursos.
Entre os programas afetados, o Moderfrota, destinado à modernização da frota de máquinas agrícolas, sofreu a maior redução, passando de R$ 9,5 bilhões para R$ 3,7 bilhões. O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) também registrou queda de 24,4% nos recursos.
Outro ponto levantado é que parte do crescimento anunciado para os investimentos decorre da incorporação de recursos de programas que anteriormente não integravam o Plano Safra. Dos R$ 140,2 bilhões informados para investimentos, R$ 10 bilhões vieram do programa Move Agricultura e outros R$ 28,5 bilhões do Ecoinvest Brasil, voltado à recuperação de pastagens.
Sem a inclusão desses valores, o volume total do Plano Safra Empresarial seria de R$ 486,6 bilhões, o que representaria redução de 5,7% em relação ao ciclo anterior.
O Plano Safra também mantém forte participação de recursos provenientes das Cédulas de Produto Rural (CPRs), que somam aproximadamente R$ 194 bilhões. Esses financiamentos são lastreados, principalmente, pelas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), títulos que continuam isentos de Imposto de Renda para investidores.
Segundo representantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), esses recursos poderiam ser ainda menores caso tivesse sido aprovada a proposta do governo federal que previa o fim da isenção tributária das LCAs e de outros títulos ligados ao agronegócio. A medida acabou sendo barrada após articulação da bancada ruralista no Congresso.
Outra preocupação do setor é a situação do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Após bloqueios e cortes orçamentários, o orçamento previsto para 2026 caiu de R$ 1,01 bilhão para cerca de R$ 473 milhões, reduzindo a capacidade de contratação de apólices em um cenário de maior risco climático e de elevado endividamento dos produtores. Diante desse quadro, a FPA tem defendido a aprovação de projetos voltados à renegociação das dívidas rurais e à reformulação da política de Seguro Rural.










