Uma nova tecnologia voltada à alimentação animal promete reduzir a dependência de fosfato mineral e, ao mesmo tempo, diminuir a emissão de gases de efeito estufa ao longo da cadeia produtiva. Segundo a fabricante GFS, cada quilo do novo produto utilizado na formulação de rações pode evitar a extração de quase 8 quilos de fosfato da natureza.
A empresa estima ainda que, para cada tonelada de fosfato cuja produção é substituída pela tecnologia, mais de uma tonelada de dióxido de carbono (CO2) deixa de ser lançada na atmosfera.
Além do impacto ambiental, o uso do aditivo pode representar redução de custos para os produtores. Estudos conduzidos pela GFS apontam uma economia estimada entre R$ 20 e R$ 30 por tonelada de ração produzida.
O gerente de integração de aves da Copacol, Douglas da Silva, afirma que a tecnologia também melhora o aproveitamento dos nutrientes presentes na alimentação das aves.
“Poupando alguns nutrientes, melhorando a absorção de outros, trazendo eficiência para todo o processo”, afirma.
Unidade amplia capacidade de produção
A nova estrutura industrial foi instalada em Apucarana, no Paraná, em uma região considerada estratégica para atender grandes polos consumidores de ração das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Segundo o prefeito Rodolfo Mota, o município está localizado em uma área de conexão entre importantes corredores de transporte.
“Apucarana é um hub logístico entre São Paulo, Mato Grosso do Sul e o Porto de Paranaguá. Duas rodovias importantes do Estado chegam e se encontram em Apucarana para descer até Curitiba e também ao Porto”, afirma.
Com a ampliação da unidade, a capacidade mensal de produção do aditivo passou de 500 para 4.500 toneladas.
As soluções desenvolvidas pela empresa no Brasil já são comercializadas no mercado nacional e exportadas para o Chile e países asiáticos.
De acordo com o CEO da GFS, Fernando Blini, a tecnologia também está em processo de registro na Europa e nas Américas, com atenção inicial para os mercados dos Estados Unidos e do México.
A expectativa é aumentar o número de destinos internacionais ainda neste ano e alcançar mais de 20 mercados até o fim de 2028.
Tecnologia avança também na suinocultura
A empresa também aposta em soluções voltadas à criação de suínos. Uma delas utiliza fibras naturais obtidas a partir de pinus de reflorestamento, ingrediente que pode favorecer o funcionamento intestinal dos animais e aumentar o aproveitamento dos nutrientes da ração.
O avanço tecnológico é acompanhado por medidas de controle sanitário nas propriedades que utilizam os produtos.
“A gente faz a fiscalização in loco das granjas de suínos e de aves que vão receber esse produto. Então, a gente vai conseguir perceber todo o processo de sustentabilidade, inovação, pesquisa e alimento seguro lá in loco, na alimentação dos animais”, afirma Celília Tomás Aquino, chefe regional da Adapar.
Com a nova unidade, a capacidade de fabricação de fibras chega a 1,6 mil toneladas mensais.
O mercado potencial é expressivo. Em 2025, a avicultura de corte e postura consumiu mais de 45 milhões de toneladas de ração no Brasil, enquanto a suinocultura respondeu por mais de 22 milhões de toneladas.
Para Almir Gnoatto, superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, o desenvolvimento de soluções nacionais contribui para reduzir a dependência externa de tecnologias empregadas no agronegócio.
“Não é só produzir o frango, a soja, o suíno, mas também ter esse olhar de como criar tecnologias sob o nosso domínio, para que sejamos cada vez mais autossuficientes nisso”, afirma.








