Uma cobertura tecnológica desenvolvida pela Universidade Estadual da Carolina do Norte (NC State), nos Estados Unidos, apresentou resultados promissores no cultivo de morangos. Nos experimentos, as plantas protegidas pelo tecido produziram uma quantidade de frutos aproveitáveis equivalente a 3,56 vezes a registrada entre aquelas cultivadas sem a proteção.
Batizada de Plant Armor, a tecnologia funciona como uma barreira física contra insetos e ajuda a reduzir a exposição das plantas às variações climáticas. Sua estrutura tridimensional permite a passagem de ar, luz e água, oferecendo uma alternativa para diminuir a dependência de defensivos agrícolas químicos.
Além do aumento no número de morangos aproveitáveis, os pesquisadores registraram crescimento no peso total da colheita, que correspondeu a 1,84 vez o resultado obtido nas plantas descobertas.
Outro efeito observado foi a antecipação da frutificação. As plantas sob a cobertura começaram a produzir aproximadamente uma semana antes das demais. Para os pesquisadores, esse comportamento pode estar relacionado ao microclima formado pelo tecido, que manteve a temperatura interna mais estável e ligeiramente elevada.
A colheita antecipada pode representar uma vantagem comercial, permitindo que produtores ofereçam os morangos ao mercado mais cedo.
O estudo mais recente sobre a tecnologia foi publicado em 24 de setembro de 2026 na revista científica Agriculture. O trabalho destaca que o morangueiro é particularmente sensível a fatores externos, como oscilações de temperatura, pragas e doenças, que provocam perdas e elevam os gastos com insumos químicos.
A proposta dos pesquisadores é reduzir o uso de pesticidas e contribuir para atender à demanda por alimentos orgânicos. A viabilidade comercial do Plant Armor, porém, ainda precisa ser confirmada. A próxima etapa prevê avaliações em propriedades rurais, com diferentes condições de cultivo e em outras regiões.
Origem militar
O Plant Armor surgiu de pesquisas da própria universidade voltadas ao desenvolvimento de vestimentas militares. Os trabalhos buscavam tornar coletes à prova de balas mais confortáveis e criar roupas capazes de proteger os usuários contra insetos.
Na aplicação agrícola, o material é produzido com multifilamentos de poliéster reflexivo e contém 0,05% de dióxido de titânio. A cobertura fica apoiada sobre arcos de PVC, formando um túnel sobre os canteiros.
Os primeiros resultados do uso da tecnologia na agricultura foram publicados em 2022, após experimentos com repolhos. Desde então, os pesquisadores passaram a avaliar seu desempenho em outros cultivos.
A utilização de mantas para proteger lavouras já havia sido investigada anteriormente. Um estudo de 2006 da Universidade Estadual do Kansas, citado no artigo da NC State, também identificou benefícios ao cobrir as plantas.
Naquele experimento, entretanto, era necessário retirar a proteção periodicamente para ventilar o cultivo e evitar o superaquecimento, além de manter monitoramento constante. A estrutura permeável do Plant Armor foi desenvolvida para superar essas limitações e permitir a proteção das plantas com circulação de ar.








