Em noite de emoção e novo capítulo na gestão do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), autoridades estaduais e nacionais, membros do Ministério Público brasileiro, familiares e amigos prestigiaram no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, a posse do novo Procurador-Geral de Justiça, Romão Avila Milhan Junior, para o biênio (2026/2028).
A solenidade teve início com a formação da mesa diretora, presidida pela Procuradora de Justiça Nilza Gomes da Silva, Procuradora-Geral de Justiça em exercício. Após a execução do Hino Nacional pela Banda de Música da Polícia Militar, a Procuradora Nilza Gomes da Silva declarou aberta a sessão solene do Colendo Colégio de Procuradores de Justiça.
O novo chefe do Parquet, nomeado pelo Governador do Estado de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, foi eleito pela classe com alto índice de aprovação (96,13%), resultado que ratifica a gestão e reforça a legitimidade para a continuidade dos trabalhos.
Após a leitura do Termo de Posse, o documento recebeu a assinatura de Romão Avila Milhan Junior e da Procuradora de Justiça Nilza Gomes da Silva.
O rito de entrega das vestes talares se deu pelas mãos da senhora Nair de Bitencourt Avila Milhan e do senhor Romão Avila Milhan, pais do empossado, acompanhados da esposa, Cândice Gabriela Arosio, juntamente com os filhos.
Após o juramento solene e a investidura no cargo, a Procuradora de Justiça Nilza Gomes da Silva convidou Romão Avila Milhan Junior a assumir a presidência dos trabalhos.
Deram sequência aos discursos na solenidade, conforme a ordem do protocolo: o Promotor de Justiça e Presidente da ASMMP, Fabrício Secafen Mingati; o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet; o Governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Corrêa Riedel.
Em um pronunciamento marcado pela tônica do fortalecimento institucional e do reconhecimento humano, o Presidente da ASMMP-MS, destacou a diretriz estratégica que norteia a gestão de Romão Avila Milhan Junior.
“Nosso Ministério tem um compromisso com a defesa intransigente da sociedade, a valorização da atividade-fim e o respeito àqueles que fazem a instituição acontecer todos os dias. Ao longo desse percurso de um pouco mais de dois anos, o que se viu foi uma condução firme e consciente: firme no cumprimento da nossa missão funcional — com foco na defesa da propriedade, combate à corrupção e ao crime organizado — e consciente de que nenhuma instituição se fortalece sem investir de forma genuína nas pessoas que a integram. A palavra ‘missão’ não é uma palavra de ocasião; ela é uma direção. Por isso, modernizar o Ministério Público não é apenas uma pauta administrativa, é uma necessidade institucional”, parabenizou.
Paulo Gonet, proferiu palavras de entusiasmo e reconhecimento. Em seu discurso, traçou um paralelo entre as virtudes do estado sul-mato-grossense, simbolizadas em seu hino, e o perfil de liderança do empossado, destacando sua capacidade de diálogo e excelência jurídica.
“Este é um momento particularmente prazeroso: saudar a recondução do meu amigo Romão à direção superior, à direção máxima do Ministério Público do Mato Grosso do Sul. Ao ouvir o hino do Estado, algumas coisas me impactaram. É um hino que foge um pouco do figurino belicista; ele fala de futuro, de riquezas pessoais, de belezas naturais e do que queremos para o Brasil. Queremos um país que seja promissor como o Mato Grosso do Sul, com suas tantas virtudes. Este é um estado que acolhe as pessoas e o talento; que prestigia quem está disposto a melhorar a vida e a se empenhar pelos valores democráticos. Por isso, não me espantou que o Dr. Romão fosse reconduzido ao cargo de Procurador-Geral de Justiça. Convivemos há alguns anos e ele só me impressiona cada vez mais com sua inteligência, sua argúcia e seu talento em várias modalidades: talento jurídico, nas relações pessoais e na argumentação. O Dr. Romão é um exemplo do que deve ser um integrante do Ministério Público. Ao conversar com autoridades aqui no Estado, todas foram unânimes em apontar esse seu traço de abertura ao diálogo e à tentativa de conciliação, mesmo naquilo que parece ser um momento de incompatibilidade de interesses. O Dr. Romão sempre atuou em prol da harmonia. É uma honra estar presente na sua posse”, parabenizou Paulo Gonet.
Em sua fala, o governador Eduardo Riedel destacou o “modelo MS” de diálogo e harmonia entre os Poderes como um antídoto para a polarização e o ativismo judicial que, segundo ele, tensionam as instituições brasileiras.
“Vivemos um trecho de história estridente e áspera, com dificuldades graves nas relações entre os poderes da República. O equilíbrio entre eles está em risco, vítima da intolerância e do ativismo gerados pela polarização, que fragilizou as fronteiras entre as prerrogativas e responsabilidades de cada um. Quando uma instituição deixa de dar respostas, outra é provocada para sanar o vácuo, gerando apropriações indevidas sobre deveres dos Executivos ou levando impasses do Parlamento à arbitragem do Judiciário. Ouso dizer que talvez tenha faltado no plano nacional o que tem sobrado no Mato Grosso do Sul: inigualável capacidade de diálogo. Provamos aqui que é possível trabalhar com absoluta independência e respeito às prerrogativas, sem prejuízos ao bem comum. Fiz esta introdução para saudar a recondução do Dr. Romão Milhan Júnior à Procuradoria-Geral de Justiça, onde tem sido voz decisiva nessa convergência. Sua aprovação de 96,13% pelos pares confirma uma trajetória fundada na competência e no compromisso com interesses coletivos”, destacou o Governador.
A solenidade foi encerrada com o discurso do Procurador-Geral de Justiça, Romão Avila Milhan Junior, que utilizou uma metáfora esportiva para definir sua filosofia de gestão. Ao relembrar sua juventude como aspirante a jogador de futebol, o PGJ destacou que o sucesso institucional não é fruto de talentos individuais isolados, mas de um “time” coeso.
A fala do Procurador equilibrou gratidão familiar, reconhecimento às parcerias com os Poderes Executivo e Legislativo e uma definição clara da missão do Ministério Público moderno: uma atuação resolutiva que fomenta e fiscaliza políticas públicas sem invadir as competências alheias, sempre em busca de soluções céleres para a sociedade.
“Ninguém chega a lugar nenhum sozinho. Para tudo o que formos construir, precisamos de um time. Minha gratidão começa em casa, com a Cândice e meus filhos, que dão a estrutura para o trabalho diário. Eu sou apenas mais uma peça. No contexto nacional e estadual, isso se repete, ninguém resolve nada sozinho. É uma união de esforços e instituições. Hoje me sinto emocionado: não sou sul-mato-grossense de nascimento, mas sou de coração. Sobre a nossa missão, o Ministério Público brasileiro é único no mundo. Temos a raiz criminal, essencial no combate às organizações criminosas em parceria com as polícias, mas temos também o Ministério Público da Constituição de 88. É preciso lembrar: não somos os idealizadores nem os produtores das políticas públicas; isso compete ao Legislativo e ao Executivo. Ao Ministério Público compete fomentar e fiscalizar a boa aplicação dessas políticas.
Defendo um Ministério Público Resolutivo. Buscamos soluções diretas, rápidas e eficazes em prol da sociedade, como vemos no modelo do ‘Compor’ em Minas Gerais, onde instituições e iniciativa privada dialogam para resolver conflitos. O Ministério Público cumpre sua missão quando trabalha em conjunto, entendendo que é a iniciativa privada quem produz e paga os tributos para que o Estado cumpra seu papel de dar segurança, saúde e educação a todos”, pontuou.
O encerramento do discurso de Romão Avila Milhan Junior foi marcado por um forte apelo à união institucional e ao otimismo. O PGJ utilizou referências teóricas sobre a condição humana para definir o papel do Ministério Público como um catalisador de mudanças sociais. Para o Procurador, a eficiência da “máquina” pública depende da soma de homens e mulheres de bem em favor do progresso do Mato Grosso do Sul e do país.
“Fora deste auditório, estavam as crianças atendidas pela Casa União do Lar de Santana, para onde destinamos boa parte de nossos equipamentos. Agradeço às voluntárias e aos colegas da nossa associação por esse trabalho. Estamos aqui para garantir que essas crianças tenham um futuro melhor. Encerro fazendo esse paralelo com o futebol para questionar: o que queremos deixar para nossos filhos nesta quadra atual da história? Quando vejo este auditório lotado, unindo iniciativa privada, universidades, forças de segurança e o poder público, reforço o sentimento de que o trabalho tem que ser bem feito por todos. Se quisermos mudar o cenário atual, temos que nos unir. Como disse o governador, vivemos uma ‘bagunça nacional’, mas não é por isso que deixaremos de realizar nosso trabalho. Pelo contrário. Reflito sempre sobre a filósofa Hannah Arendt, que em sua obra A Condição Humana nos ensina que cada um de nós é responsável pela quadra seguinte da história. Ela escreveu: ‘Em todo caso, um indivíduo jamais é capaz de constituir um poder sozinho, pois o poder sempre envolve a capacidade de articular propósitos comuns pelo discurso, e também de realizá-los na ação em concreto’. Foi esse trecho que li para minha equipe no primeiro dia. Por isso, contem com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul — com cada promotor, procurador e servidor que carrega esta máquina. Contem conosco para o futuro do Estado e do Brasil. Que tenhamos dias melhores, com esperança e otimismo na humanidade. Viva o Mato Grosso do Sul, viva a sociedade brasileira e os nossos pais!”, finalizou o PGJ.
Mesa de autoridades e convidados
Compuseram a mesa de autoridades: Nilza Gomes da Silva, Procuradora-Geral de Justiça, em exercício, Eduardo Correa Riedel, Governador de MS; Paulo Gonet Branco, Procurador-Geral da República e Presidente do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP); Dorival Renato Pavan, Presidente do TJMS; Gerson Claro, Presidente da ALMS; Thereza Cristina, Senadora da República por MS; Fernando da Silva Comin, Corregedor Nacional do CNMP; Fábio Francisco Esteves, Conselheiro do CNJ; Alexandre Magno Benites de Lacerda, Conselheiro do CNMP; Carlos Vinicius Secretário-Geral do CNMP; Pedro Maia Marques, Procurador-Geral de Justiça do MPBA e Presidente do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais dos Ministérios Públicos dos Estados e da União; Tarcísio José Sousa Bonfim, Presidente do Conamp; César Bechara Nader Mattar Júnior, Presidente do CNPG; Tarcísio José Sousa Bonfim, Presidente da Conamp; Marta do Carmo, representando Bitto Pereira, Presidente da OAB/MS; Pedro Paulo Gasparini, Defensor Público-Geral do MS; Adriane Lopes, Prefeita de Campo Grande; e Fabrício Secafen Mingati, Presidente da ASMMP-MS.
Também prestigiaram a cerimônia, Soraya Tronicke, Senadora da República por MS; Dom Dimas, Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Campo Grande; Promotor Manoel Victor Sereni Murrieta e Tavares (CNMP); a Procuradora-Geral Adjunta da Bahia, Norma Angélica Reis Cardoso Cavalcanti; bem como os Procuradores-Gerais de Justiça de diversos estados brasileiros.











