Mato Grosso do Sul completou, em 29 de maio, um ano desde que recebeu o reconhecimento internacional de área livre de febre aftosa sem vacinação, concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Desde então, o Estado registrou crescimento expressivo nas exportações de carne bovina, com avanços no faturamento, no volume embarcado e na abertura de novos mercados.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que, entre janeiro e maio de 2026, a receita obtida com as exportações de carne bovina alcançou US$ 927 milhões, um aumento de 46,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando o valor foi de US$ 631,4 milhões.
O volume exportado também apresentou crescimento significativo, passando de 129,7 mil toneladas para 159,7 mil toneladas, alta de 23,1%. O número de países compradores subiu de 68 para 78, expansão de 14,7%. Além disso, o preço médio da carne comercializada no mercado externo aumentou de US$ 4,87 para US$ 5,80 por quilo.
Os números abrangem diferentes produtos da cadeia bovina, incluindo carnes desossadas congeladas, carnes frescas e refrigeradas, miudezas, cortes especiais, conservas e outros derivados.
A China manteve a liderança entre os principais destinos da carne sul-mato-grossense. As compras do país asiático mais que dobraram no período analisado, saltando de US$ 174,5 milhões para US$ 374,6 milhões, avanço de 114,7%.
Os Estados Unidos ocuparam a segunda posição entre os maiores importadores. As aquisições cresceram de US$ 130 milhões para US$ 185,2 milhões, representando aumento de 41,9%.
Em termos percentuais, a Rússia apresentou a maior expansão, com crescimento de 292,9% nas compras. As exportações para o país passaram de US$ 3,7 milhões para US$ 14,4 milhões.
Representantes do setor produtivo avaliam que o aumento do número de mercados atendidos e do volume exportado confirma as expectativas geradas pela conquista do novo status sanitário. O reconhecimento fortaleceu a competitividade da pecuária sul-mato-grossense e ampliou as oportunidades de acesso a mercados mais exigentes.
Além da certificação sanitária, fatores como o ciclo pecuário, a redução da oferta de animais para abate e a forte demanda internacional contribuíram para a valorização da carne bovina e para o crescimento da receita obtida com as exportações.
A procura aquecida por parte da China e dos Estados Unidos teve papel decisivo no desempenho do setor. No mercado norte-americano, a necessidade de importação foi impulsionada pela redução do rebanho local, afetado por condições climáticas adversas, aumento dos custos de produção e pelo próprio ciclo da pecuária.
Já a China estabeleceu para 2026 uma cota anual de importação de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, mantendo a tarifa de 12%. A medida levou frigoríficos e exportadores a intensificarem os embarques no primeiro semestre do ano.
O setor acompanha agora as definições do governo chinês sobre o futuro das importações após o preenchimento da cota, previsto para ocorrer ainda neste mês. A expectativa é que essas decisões influenciem diretamente o comportamento dos preços e das exportações nos próximos meses.
Apesar das incertezas, a recente validação, por parte da própria China, do status sanitário brasileiro de área livre de aftosa sem vacinação é vista como um indicativo positivo para a ampliação das vendas externas, assim como já ocorre em mercados estratégicos como o Chile. O reconhecimento reforça o potencial de crescimento das exportações de carne bovina de Mato Grosso do Sul nos próximos anos.










