A União Europeia (UE) anunciou que poderá suspender a compra de produtos de origem animal do Brasil caso o país não atenda às novas exigências sanitárias relacionadas ao uso de medicamentos antimicrobianos na produção pecuária. As regras passam a valer a partir de 3 de setembro e podem afetar as exportações brasileiras de carne bovina, carne suína, carne de frango, ovos e mel.
A medida impõe que os produtos destinados ao mercado europeu estejam em conformidade com os rígidos padrões adotados pelo bloco, especialmente no controle do uso de antimicrobianos na produção animal.
Na avaliação do analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, os segmentos de aves, suínos e apicultura têm melhores condições de atender às exigências por possuírem cadeias produtivas mais integradas e com maior rastreabilidade.
“Na avicultura de postura, na avicultura de corte, na apicultura e na suinocultura é mais fácil comprovar documentalmente a utilização ou não desses antimicrobianos durante a produção”, explica.
Segundo ele, a situação é mais complexa para a bovinocultura, cuja cadeia produtiva é mais fragmentada. Um mesmo animal pode passar por diferentes propriedades ao longo da vida, dificultando o controle e a comprovação do histórico sanitário.
Apesar do endurecimento das regras, Iglesias acredita que o mercado europeu para a carne de frango brasileira tende a ser preservado, uma vez que o setor já possui sistemas consolidados de controle. Atualmente, as exportações de frango para a Europa, principalmente para os Países Baixos, movimentam cerca de US$ 700 milhões por ano.
No caso da carne suína, o impacto tende a ser limitado. Isso porque a União Europeia é uma grande produtora da proteína, com destaque para Espanha, Alemanha e França, enquanto os principais compradores da carne suína brasileira estão na Ásia, especialmente Filipinas, Singapura e Japão.
Brasil já avança na restrição de antimicrobianos
O Brasil já iniciou a adequação às exigências internacionais. Em maio deste ano, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou a Portaria SDA nº 1.626/2026, que proibiu o registro, a importação, a fabricação e o uso de determinados antimicrobianos para abelhas, bovinos, equinos e peixes.
Além disso, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) solicitou ao Mapa a ampliação dessas restrições para a produção de aves e defendeu a inclusão de outras três substâncias utilizadas na produção animal: enramicina, avilamicina e flavomicina.
O setor avalia que a adoção dessas medidas é estratégica para preservar o acesso aos mercados internacionais, especialmente ao europeu, que possui algumas das legislações sanitárias mais rigorosas do mundo. Embora as exigências representem um desafio para parte da cadeia produtiva, especialistas destacam que a adaptação também pode fortalecer a competitividade das exportações brasileiras no longo prazo.










