A separação entre a vaca e o bezerro logo após o nascimento é adotada na pecuária leiteira para facilitar os cuidados sanitários e o acompanhamento da alimentação do recém-nascido. Segundo o zootecnista Guilherme Marquez, especialista em gado de leite, a prática integra protocolos voltados à proteção dos animais e à redução da mortalidade nos bezerreiros.
A explicação foi apresentada em resposta à dúvida do produtor Fernando Fonseca, de Buritis, em Minas Gerais, sobre os motivos para alojar os filhotes em baias ou bezerreiros individuais após o parto.
Na avaliação de Marquez, a separação precoce, quando associada aos cuidados adequados, é compatível com os princípios de bem-estar animal. O objetivo é oferecer um ambiente limpo e controlado durante uma fase que exige atenção à alimentação e à saúde do bezerro.
O especialista explica que raças leiteiras como Holandesa e Jersey passaram por intensa seleção genética voltada à produção. Segundo ele, essas matrizes apresentam menor habilidade materna em comparação às raças de corte, o que reforça a necessidade de acompanhamento dos recém-nascidos.
A permanência do bezerro solto no pasto com a mãe, conforme Marquez, pode expô-lo a intempéries, pisoteio e contaminação do umbigo. Também há risco de falhas na ingestão do colostro, alimento fundamental para a proteção do animal no início da vida.
Com o manejo individualizado, a equipe da propriedade consegue acompanhar o fornecimento do colostro e a alimentação nas etapas seguintes. Esse controle permite executar os cuidados sanitários previstos para o período inicial de criação.
Após a fase de colostragem e aleitamento individual, as bezerras são desmamadas e reunidas em piquetes coletivos. A proposta, segundo o especialista, é preservar a saúde dos animais e favorecer o desenvolvimento das futuras matrizes do rebanho.
O manejo faz parte de um conjunto de medidas de bem-estar que inclui condições adequadas de alojamento, redução do estresse e atendimento às necessidades biológicas dos bovinos.









