O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, aposta na industrialização da produção agropecuária como uma das principais estratégias para ampliar a geração de empregos e manter uma parcela maior da riqueza produzida em Mato Grosso do Sul dentro do próprio Estado. A política acompanha uma carteira de aproximadamente R$ 115 bilhões em investimentos privados, entre empreendimentos concluídos, em execução e previstos até 2030.
A estratégia busca aproveitar a força histórica da agropecuária sul-mato-grossense para avançar sobre outras etapas das cadeias produtivas. Em vez de apenas produzir e enviar matéria-prima para outros centros, a proposta é ampliar o processamento dentro do Estado, estimulando agroindústrias, transportadoras, prestadores de serviços, comércio e construção civil.
Para Riedel, a capacidade de atrair novos empreendimentos depende de fatores que vão além de incentivos fiscais ou disponibilidade de terras. Infraestrutura, energia, conectividade, saneamento e trabalhadores qualificados também pesam na decisão das empresas.
“Ser um Estado verdadeiramente atrativo requer visão de futuro, planejamento e muito trabalho”, afirma o governador. Segundo ele, o objetivo é tornar Mato Grosso do Sul mais competitivo e preparado para atender tanto o mercado brasileiro quanto o exterior.
O governador destaca que grupos empresariais avaliam as condições oferecidas pela região antes de decidir pela implantação de uma unidade produtiva.
“Para um grupo industrial, por exemplo, decidir instalar uma nova unidade, ele certamente considera se a região dispõe de recursos como estradas, energia, internet, saneamento básico, matéria-prima e trabalhadores”, explica.
Riedel acrescenta que o desenvolvimento também precisa ser analisado pela perspectiva de quem trabalha e vive nas cidades beneficiadas pelos investimentos.
O trabalhador, segundo ele, observa uma lista igualmente concreta: “moradia, ruas asfaltadas, água na torneira, escolas, unidades de saúde e supermercados”.
Municípios como Inocência, Três Lagoas, Ribas do Rio Pardo e Chapadão do Sul estão entre os exemplos da interiorização desse novo ciclo econômico. Indústria e serviços aparecem entre os setores com participação relevante na abertura de postos de trabalho, ao lado de atividades ligadas ao agronegócio, à bioenergia, à logística e à construção civil.
Entre 2023 e 2030, Mato Grosso do Sul reúne mais de R$ 115 bilhões em empreendimentos privados concluídos, em andamento ou projetados. Aproximadamente R$ 27 bilhões correspondem a investimentos já concluídos, outros R$ 60 bilhões estão em execução e cerca de R$ 29 bilhões fazem parte de projetos futuros.
Quando estiverem em funcionamento, esses empreendimentos têm potencial para gerar pelo menos 18 mil empregos diretos. Atualmente, a indústria responde por 22,4% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul.
O crescimento dos investimentos, porém, trouxe um novo desafio. Em determinados setores, a dificuldade já não está apenas na abertura de vagas, mas na disponibilidade de trabalhadores qualificados para ocupá-las.
A diretora-presidente da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), Marina Hojaij Carvalho Dobashi, afirma que o cenário demonstra o aquecimento do mercado de trabalho, mas também evidencia a necessidade de ampliar a formação profissional.
“Hoje podemos afirmar que Mato Grosso do Sul vive um mercado de trabalho aquecido. O crescimento econômico, aliado aos grandes investimentos privados e às políticas públicas voltadas à empregabilidade, tem ampliado significativamente a oferta de vagas. Em algumas áreas, o desafio já não é criar empregos, mas formar profissionais qualificados para atender à demanda das empresas”, afirma.
A atração de empresas, por isso, vem sendo acompanhada por iniciativas voltadas à capacitação da mão de obra, com o objetivo de preparar trabalhadores para as funções exigidas pelos novos empreendimentos. O movimento ocorre em um Estado que possui atualmente a sétima maior renda média do trabalhador do Brasil.
A expansão econômica também impõe desafios aos municípios que recebem os investimentos. A chegada de grandes empreendimentos aumenta a necessidade de moradias, escolas, unidades de saúde, saneamento, pavimentação e outros serviços públicos.
Dessa forma, a consolidação do novo ciclo econômico depende não apenas da continuidade da atração de empresas, mas também da capacidade de fazer com que os benefícios alcancem as comunidades onde os empreendimentos são instalados.
Com novas vagas surgindo em diferentes regiões e setores, a qualificação profissional passa a fazer parte da mesma estratégia de desenvolvimento que busca industrializar a produção do campo. O desafio é garantir que os postos de trabalho sejam ocupados, preferencialmente, por trabalhadores do próprio Estado e que o crescimento econômico seja convertido em renda e melhoria das condições de vida da população.










