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Riedel amplia vacinação móvel para levar imunização a áreas rurais e de fronteira em MS

O governador Eduardo Riedel (Progressistas), candidato à reeleição, ampliou em Mato Grosso do Sul a estrutura de vacinação itinerante e de conservação de imunizantes com o objetivo de levar atendimento a moradores de comunidades rurais, aldeias, assentamentos e municípios da faixa de fronteira.

Entre as medidas adotadas estão a aquisição de dez veículos adaptados como Vacimóveis, investimento de R$ 3,4 milhões, e a contratação de dois furgões refrigerados por aproximadamente R$ 440 mil. A estratégia permite que as equipes de saúde levem a própria estrutura de vacinação a locais onde a distância, a falta de transporte e a rotina de trabalho dificultam o acesso da população aos postos.

Para Riedel, a prevenção precisa alcançar o cidadão independentemente de onde ele mora.

“A saúde preventiva não pode esperar a confirmação de um surto. Em regiões de fronteira, medir o risco, deslocar equipes e organizar rapidamente a vacinação é parte da proteção das crianças que vivem ali e também das famílias de todo o Estado”, afirmou o governador.

Segundo ele, o modelo depende da integração entre Estado e prefeituras. “Isso é possível quando investimos em logística, organizamos as regiões e criamos condições para que Estado e municípios atuem juntos.”

Vacinação mais perto das famílias

No assentamento Santa Guilhermina, em Maracaju, onde vivem mais de 240 famílias, a aproximação do serviço mudou a rotina de moradores que antes precisavam se deslocar até a área urbana para manter a carteira de vacinação atualizada.

Mãe de uma criança pequena, Tianieli Almeida da Silva conta que o atendimento dentro da própria comunidade facilitou o cuidado com o filho.

“Pra mim é muito bom que seja possível este atendimento aqui, acredito que para todos os moradores do assentamento, ainda mais para mães de criança pequena, como eu, que sempre precisamos vacinar, de mês a mês, sem ter a necessidade de sair daqui para ir na cidade”, relata.

Os Vacimóveis contam com câmara refrigerada, materiais para preparo e aplicação das doses, espaço para atendimento e tenda externa. A estrutura complementa as unidades básicas de saúde e pode ser deslocada tanto para regiões remotas quanto para pontos de maior circulação definidos em parceria com os municípios.

Entre novembro e dezembro de 2025, um projeto-piloto percorreu Corumbá, Inocência, Japorã, Porto Murtinho, Miranda e Paranaíba. Foram aplicadas 1.993 doses no período, permitindo testar a operação em diferentes condições territoriais.

Em 2026, os veículos passaram a percorrer as regiões de saúde por meio do programa MS Protegido. O cronograma começou pela Região Norte e contempla ainda Baixo Pantanal, Nordeste, Leste, Sudeste, Sul-Fronteira, Centro e Centro-Sul.

Tianieli afirma que, além da facilidade para receber as doses, as equipes também auxiliam os moradores com orientações.

“Sempre atendem a gente muito bem, tiram nossas dúvidas, suprimos todas as nossas necessidades”, disse.

O Estado disponibiliza o Vacimóvel, técnico responsável, motorista e combustível. Aos municípios cabe fornecer vacinadores, profissionais para registrar as aplicações e equipes responsáveis pela mobilização da população.

Rede de frio garante segurança das doses

A estratégia adotada pelo Governo do Estado também inclui investimentos na chamada rede de frio, responsável por garantir que as vacinas sejam armazenadas e transportadas dentro das temperaturas exigidas.

Em 2025, Mato Grosso do Sul adquiriu 197 computadores e nove câmaras destinadas aos Núcleos Regionais de Saúde, além de iniciar processos para aquisição de novos equipamentos.

O planejamento prevê a distribuição de 439 câmaras frias, 439 computadores e 439 nobreaks, além de aparelhos de ar-condicionado. Até o fim de 2025, 39 conjuntos haviam sido entregues a unidades de saúde de Dourados, Corumbá, Três Lagoas, Maracaju, Naviraí e Nova Andradina.

Os equipamentos ajudam a preservar os imunizantes em situações de oscilação de temperatura ou interrupção no fornecimento de energia e também melhoram o registro das doses aplicadas.

“Um eixo importante do Programa Nacional de Imunizações é a sua rede de frio. Toda essa cadeia, desde a aquisição até a disposição ao usuário final, é pensada para garantir que a vacina tenha a sua segurança e a sua eficácia por meio do monitoramento da temperatura”, explicou o coordenador de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde, Frederico Moraes.

Segundo ele, como os imunizantes são sensíveis a alterações de temperatura, os municípios também mantêm protocolos de contingência para enfrentar situações como temporais, outros eventos climáticos e quedas de energia.

Profissionais recebem capacitação

Além da infraestrutura, o Estado investiu na preparação das equipes responsáveis pela imunização. Em 2025, aproximadamente 118 profissionais concluíram capacitação para aplicação da vacina BCG, em 22 turmas.

Aplicada principalmente nos primeiros dias de vida, a BCG exige técnica específica e profissionais habilitados.

A atualização das equipes tornou-se ainda mais necessária com a incorporação de novas estratégias ao Programa Nacional de Imunizações.

Entre os exemplos citados por Frederico Moraes estão as ações de proteção contra o vírus sincicial respiratório e a vacinação contra a dengue. Cada nova tecnologia exige treinamento desde o atendimento ao paciente até o lançamento correto das informações nos sistemas oficiais.

Fronteira exige resposta rápida

A localização de Mato Grosso do Sul também cria desafios específicos para a imunização. A intensa circulação de pessoas na faixa de fronteira exige capacidade de resposta rápida diante da possibilidade de reintrodução de doenças.

Em julho de 2025, diante do risco de entrada do sarampo a partir da Bolívia, a Secretaria de Estado de Saúde reforçou os estoques e apoiou campanhas em Corumbá e Ladário.

Equipes volantes atuaram em terminais, praças e estabelecimentos comerciais. A estratégia incluiu ainda a chamada dose zero para bebês de seis a 11 meses.

Somente em julho, Corumbá aplicou 1.050 doses contra o sarampo. Em Ladário, foram 116 aplicações entre os dias 11 e 24 daquele mês.

A operação envolveu a capacitação de 160 profissionais e, com apoio do Ministério da Saúde, o envio de 20 mil doses da tríplice viral à Bolívia.

Distância ainda é desafio

Apesar da ampliação da estrutura, o desafio agora é concluir a entrega dos equipamentos planejados, avaliar o resultado dos Vacimóveis e mapear comunidades que ainda enfrentam dificuldades para chegar às salas fixas de vacinação.

O acompanhamento é considerado importante porque os índices médios de cobertura vacinal podem esconder diferenças significativas entre municípios e regiões.

Enquanto moradores dos centros urbanos podem levar poucos minutos para chegar a uma unidade de saúde, famílias que vivem em assentamentos, aldeias e propriedades rurais dependem de estradas, disponibilidade de transporte, combustível e tempo para realizar o mesmo atendimento.

É justamente esse obstáculo que a estratégia de vacinação itinerante busca diminuir.

No assentamento Santa Guilhermina, o efeito aparece de forma prática: Tianieli pode manter a vacinação do filho em dia sem precisar deixar a comunidade.

Por trás dos poucos minutos necessários para receber a dose, existe uma estrutura composta por veículos, câmaras frias, sistemas de informação, combustível e profissionais capacitados. O objetivo do Governo do Estado é fazer com que essa estrutura percorra a distância necessária para que a vacina chegue à população, inclusive nos pontos mais afastados de Mato Grosso do Sul.

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