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Ressincronização pode elevar em até 10% produção de bezerros em MS

Pecuaristas de Mato Grosso do Sul que iniciam a estação de monta podem encontrar na ressincronização uma alternativa para aumentar a produção de bezerros e melhorar o aproveitamento das matrizes. Associada à Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), a estratégia possibilita uma segunda tentativa de inseminação nas fêmeas que não ficaram prenhes no primeiro procedimento.

Segundo a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), a ressincronização pode resultar em aumento de 6% a 10% no número de bezerros produzidos em comparação ao sistema convencional de IATF seguido pelo repasse com touros.

A ferramenta ganha importância em Estados com forte presença da pecuária de corte, como Mato Grosso do Sul, principalmente durante o período de planejamento da próxima safra de bezerros.

A IATF é utilizada em mais de 90% das inseminações de bovinos realizadas no País. Apesar da eficiência da técnica, a taxa média de prenhez pode chegar a cerca de 50%, deixando uma parcela significativa das matrizes disponível para uma nova tentativa dentro da mesma estação reprodutiva.

No método tradicional, as vacas que não ficam prenhes depois da primeira inseminação normalmente são colocadas junto aos touros para o chamado repasse por monta natural. Com a ressincronização, essas fêmeas podem receber um novo protocolo de IATF em intervalo menor.

“Com a ressincronização, o pecuarista pode inseminar novamente as fêmeas que não emprenharam na primeira tentativa, reduzindo o intervalo entre as inseminações. Essa possibilidade aumenta a eficiência do sistema e permite concentrar mais prenhezes na estação de monta”, explica o diretor técnico da Asbia, Fernando Furtado Velloso.

Além de ampliar o número de gestações, a estratégia pode diminuir entre 20 e 30 dias a duração da estação de monta, concentrando o período reprodutivo do rebanho.

Há diferentes formas de aplicar o procedimento. No protocolo convencional, o diagnóstico de gestação é feito por ultrassonografia aproximadamente 30 dias depois da primeira IATF. As fêmeas que permaneceram vazias são identificadas e entram em uma nova programação.

Também existem protocolos mais precoces, nos quais o diagnóstico é realizado com Doppler, tecnologia capaz de antecipar a identificação da gestação. Nesse caso, a avaliação pode ocorrer cerca de 21 dias depois da primeira inseminação.

Outra vantagem apontada pela Asbia é a concentração dos nascimentos. Com maior número de vacas emprenhando no início da estação, mais bezerros tendem a nascer nos primeiros 45 dias do período de parição.

Esses animais terão mais tempo para ganhar peso até a desmama, fator que pode aumentar o peso médio dos bezerros e melhorar a uniformidade dos lotes comercializados. A concentração dos nascimentos também facilita o manejo sanitário e nutricional dentro das propriedades.

Custo deve entrar na conta

A adoção da ressincronização, porém, exige uma avaliação econômica por parte do produtor. O procedimento gera gastos adicionais com sêmen, hormônios, mão de obra e serviços veterinários.

Para Velloso, a análise deve considerar principalmente o volume adicional de quilos de bezerros produzido pela propriedade.

“Os custos da IATF representam aproximadamente 5% do valor do bezerro ao desmame. Quando consideramos o potencial de produzir mais bezerros e concentrar os nascimentos, especialmente em um momento favorável para a pecuária, a relação entre investimento e retorno pode ser bastante positiva”, afirma.

Com a estação de monta em andamento, o planejamento reprodutivo torna-se decisivo para definir os resultados da próxima safra. A ressincronização amplia as possibilidades da IATF ao permitir que matrizes vazias sejam rapidamente identificadas e inseminadas novamente, elevando as chances de prenhez dentro de uma mesma temporada.

IATF

Fundada em 1974, a Asbia atua na difusão e no incentivo ao uso da inseminação artificial na pecuária brasileira. A entidade também desenvolve ações voltadas à modernização do setor, à ampliação do mercado e ao aperfeiçoamento dos sistemas de distribuição de produtos ligados à reprodução animal.

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