Pecuaristas que atuam na recria e na engorda e dependem da compra de animais de reposição devem reforçar o planejamento da atividade nos próximos anos. A expectativa de manutenção dos preços elevados das categorias de reposição aumenta a importância do controle de custos, da definição do período de permanência dos bovinos na propriedade e da proteção das margens de lucro.
Segundo a zootecnista e analista de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Juliana Pila, o atual momento do ciclo pecuário exige atenção principalmente dos produtores que não trabalham com cria e, por isso, precisam adquirir animais para dar continuidade à produção.
“Para o pecuarista que não trabalha com cria, o principal ponto daqui para frente é pensar, principalmente, em ter mais cuidado com a compra de reposição”, afirmou.
A analista avalia que a valorização dos animais de reposição observada atualmente deve continuar ao longo dos próximos anos. A perspectiva é de preços sustentados pelo menos durante 2027 e 2028, cenário que pode elevar ainda mais os custos de entrada para quem trabalha exclusivamente com recria ou terminação.
“Nós estamos em um momento do ciclo pecuário em que já estamos vendo que os preços de reposição estão em alta e assim devem seguir, pelo menos, para 2027 e também 2028. Então, para o pecuarista que precisa fazer a aquisição de animais, esse é um momento em que deve prestar mais atenção”, explicou Juliana.
Ciclos mais curtos podem reduzir pressão dos custos
O valor pago pelo animal, entretanto, é apenas uma das variáveis que precisam entrar no planejamento. Custos de alimentação, tempo necessário para atingir o peso de abate e previsão de comercialização também devem ser considerados antes da compra.
Nesse contexto, sistemas capazes de reduzir o período de recria e engorda ganham importância. Quanto menor o tempo de permanência do bovino na propriedade, maior tende a ser a capacidade do produtor de controlar despesas e reduzir a exposição às oscilações do mercado.
“Além de tomar cuidado com a compra de reposição, ele também tem que avaliar os custos com alimentação, o período que esse animal vai ficar na propriedade e também quando esse animal vai ser comercializado”, destacou a analista.
A combinação desses fatores pode fazer diferença na rentabilidade, principalmente em um cenário no qual o preço de aquisição representa uma parcela cada vez maior do investimento necessário para produzir o boi gordo.
Proteção de preços entra no planejamento
Além de controlar os custos produtivos, Juliana chama atenção para a necessidade de gerenciamento de risco. A recomendação é que o pecuarista avalie instrumentos de proteção sempre que o mercado permitir garantir uma margem considerada satisfatória.
Entre as alternativas estão operações no mercado futuro e contratos a termo, que podem ajudar a reduzir a exposição do produtor a eventuais quedas na cotação do boi gordo entre a compra da reposição e a venda dos animais terminados.
“Sempre que aparece uma margem interessante, o pecuarista deve analisar os mecanismos que tem para proteção de preço, como mercado futuro e também contratos a termo”, orientou.
Para os produtores que não atuam na cria, a estratégia nos próximos ciclos deve reunir três pontos principais: maior cautela na aquisição dos animais de reposição, busca por ciclos produtivos mais curtos e adoção de mecanismos capazes de preservar a margem diante das oscilações do mercado pecuário.








