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Projeto cultural em São Gabriel do Oeste resgata memórias e constrói identidade

Em uma era de transformações aceleradas, um projeto cultural tem se destacado como uma poderosa ferramenta para resgatar a memória e a identidade de São Gabriel do Oeste. A iniciativa, idealizada por Tatiane Sangalo e com a fundamental participação de seu Aldino, um morador visionário, vai além de simplesmente contar fatos históricos; ela mergulha nas “miudezas do cotidiano”, nas amizades e nos desafios que verdadeiramente construíram a cidade.

O projeto, viabilizado através de um edital público municipal, surgiu da percepção aguda de que “sem cultura a gente não sabe de onde veio”. A correria para captar recursos e colocar o sonho em prática foi grande, mas o resultado tem enchido o coração daqueles envolvidos de alegria. “É emocionante pensar em como essas histórias de ‘nascimentos’ – da educação, das amizades, da própria cidade – moldaram tudo”, reflete uma das entusiastas da ação.

O resgate se dá por meio de um livro digital, que prioriza a acessibilidade para cegos, surdos e disléxicos, democratizando o acesso à cultura. A narrativa se propõe a ser “bonita e amorosa”, contando, por exemplo, a história da primeira vendedora da agricultura familiar, Dona Gláucir, e a transição entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul de uma forma lúdica, usando sabores e memória afetiva para conectar as crianças.

Figura central no projeto, seu Aldino é apontado como um “visionário” que, em um momento em que a cidade carecia de infraestrutura básica, priorizou o investimento na cultura. Sua trajetória de sempre incentivar a escrita – “mesmo que no começo só corrigisse os erros de ortografia” – agora se transforma na missão de “corrigir a história” da cidade, garantindo que ela seja preservada com precisão e carinho.

O trabalho também joga luz sobre espaços perdidos no tempo, como o “Cine Lux”, que, mesmo sendo lembrado com humor como “pulguento”, era um vital ponto de encontro e lazer. A exposição do projeto, significativamente, será realizada em um espaço que já foi organizado para ser um museu, reforçando a ação política de preservar o patrimônio.

A iniciativa reconhece a responsabilidade de ser uma “última geração ponte” – formada por quem viveu a transição de um mundo sem energia elétrica para a era digital. O projeto serve como um convite para que todos registrem suas próprias histórias, seja por escrito ou em vídeo, para que o futuro não se perca.

Além de valorizar a lei municipal de fomento à cultura, que distribui recursos de forma mais descentralizada, Tatiane comemora a expectativa de um novo edital para o ano que vem, visto como uma oportunidade para outros artistas e produtores locais “colocarem seus sonhos na roda”.

O trabalho, em sua essência, é um ato de coragem: a coragem de sonhar, de expor a própria história e de acreditar que, para construir um futuro significativo, é fundamental saber de onde se veio. Um verdadeiro “quentinho no coração” para São Gabriel do Oeste.

Tony Franco

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