O Programa Caminho Verde Brasil prevê a recuperação de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas em todo o país ao longo dos próximos 10 anos, com Mato Grosso do Sul entre os estados considerados estratégicos para a iniciativa. Coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o projeto já conta com ações em andamento no estado e deve ampliar os investimentos nos próximos anos, com foco na produção de baixo carbono e na ampliação do acesso a mercados internacionais.
De acordo com o coordenador do programa, Pedro Cunto, a proposta é aumentar a produção agropecuária nacional sem a necessidade de abertura de novas áreas, apostando na recuperação de terras já utilizadas e hoje degradadas.
Segundo ele, a meta é recuperar 40 milhões de hectares dos cerca de 100 milhões de hectares de pastagens degradadas existentes no país. Para viabilizar esse objetivo, a expectativa é mobilizar pelo menos US$ 60 bilhões ao longo de uma década.
Parte dos recursos já começou a ser liberada por meio de parceria com o Tesouro Nacional. Em Mato Grosso do Sul, onde há cerca de 12 milhões de hectares de pastagens degradadas, o potencial de adesão ao programa é considerado significativo.
Mato Grosso do Sul saiu na frente
O primeiro projeto atendido pelo Programa Caminho Verde Brasil foi implantado em Mato Grosso do Sul, em uma área destinada à produção de cana-de-açúcar. A iniciativa contempla a recuperação de 4 mil hectares, com investimento de R$ 100 milhões.
Conforme o coordenador, o programa não impõe restrições geográficas ou por bioma, o que permite a inclusão de áreas localizadas tanto no Pantanal quanto no Cerrado sul-mato-grossense.
Adesão depende da procura dos produtores
A entrada no programa depende da iniciativa dos próprios produtores rurais, já que os recursos estão disponíveis, mas a contratação do crédito precisa ser feita junto às instituições financeiras. Atualmente, há R$ 30 bilhões já disponíveis para financiamento de projetos, independentemente do porte do produtor.
Os financiamentos podem ser contratados em instituições como Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal, Itaú, Bradesco e Santander. No entanto, o acesso aos recursos exige o cumprimento de uma série de critérios técnicos e socioambientais, como balanço anual de carbono, certificação trabalhista e monitoramento contínuo das áreas financiadas.
Segundo o Mapa, os bancos acompanharão o cumprimento dessas exigências durante todo o período do financiamento, que pode chegar a 10 anos.
Sustentabilidade como estratégia de mercado
Além da recuperação ambiental e produtiva, o Caminho Verde Brasil também busca fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional. A avaliação é de que a produção sustentável se tornou um diferencial cada vez mais relevante para garantir acesso a compradores externos.
A proposta do programa é permitir que o país amplie sua produção agropecuária sem recorrer ao desmatamento, alinhando crescimento econômico, preservação ambiental e atendimento às exigências de mercados consumidores.
Para 2027, a expectativa é ampliar ainda mais os recursos disponíveis, com novos leilões de crédito e participação internacional. Um novo financiamento com apoio do governo japonês deve priorizar pequenos e médios produtores.










