O aumento da produção de biocombustíveis em Mato Grosso do Sul tem contribuído para a redução dos preços dos combustíveis, especialmente do etanol, que atingiu o menor valor do ano no Estado. De acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro do biocombustível passou a ser comercializado, em média, por R$ 3,94 na semana entre os dias 5 e 11 de julho.
Na comparação com a semana anterior, o preço médio caiu R$ 0,04, recuando de R$ 3,98 para R$ 3,94. Em relação ao pico registrado entre o fim de março e o início de abril, quando chegou a R$ 4,44, a redução acumulada é de 11,3%, o equivalente a R$ 0,50 por litro.
A gasolina também apresentou leve queda no período, passando de R$ 6,48 para R$ 6,45 por litro. Apesar da redução, o combustível ainda permanece acima do valor registrado no início do ano, quando era vendido por cerca de R$ 6,03.
O diesel também registra trajetória de queda após as altas verificadas no primeiro semestre. O diesel comum caiu de R$ 7,18 por litro, em abril, para R$ 6,65. Já o diesel S-10 passou de R$ 7,35 para R$ 6,99 no mesmo período.
A redução dos preços acompanha o avanço da safra e o aumento da oferta de etanol, mas também reflete o fortalecimento da cadeia de bioenergia em Mato Grosso do Sul, que vem ampliando sua produção tanto de etanol de cana-de-açúcar quanto de milho, além de investir em novas fontes de energia renovável, como o biometano.
Entre os projetos em andamento estão uma unidade da JBS, em Campo Grande, que investe R$ 65 milhões na produção de biometano a partir de resíduos industriais, uma planta da Atvos em Nova Alvorada do Sul, com aporte de R$ 350 milhões e capacidade para substituir aproximadamente 48 milhões de litros de diesel por ano, e a utilização de biometano pela Adecoagro, em Ivinhema, para abastecer caminhões e máquinas agrícolas.
O cenário tende a ganhar novo impulso a partir de agosto, quando entra em vigor o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, que passará de 27% para 32% (E32). A medida deve ampliar a demanda pelo biocombustível e incentivar novos investimentos no setor.
Representantes da cadeia sucroenergética avaliam que a mudança fortalece a produção nacional de combustíveis renováveis, amplia a previsibilidade para novos empreendimentos e reforça a importância da bioenergia para a segurança energética e a redução das emissões de carbono.
Atualmente, Mato Grosso do Sul possui 22 unidades de bioenergia em operação, sendo 19 usinas de cana-de-açúcar e três de milho. Todas produzem etanol e bioeletricidade, enquanto parte delas também fabrica açúcar e fornece energia excedente ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
O Estado ocupa posição de destaque no cenário nacional, sendo o quarto maior produtor brasileiro de cana-de-açúcar e de etanol, o segundo maior produtor de etanol de milho e o quinto maior produtor de açúcar. O setor está presente em 42 municípios, gera cerca de 34,5 mil empregos diretos, movimenta aproximadamente R$ 1,4 bilhão em massa salarial e responde por 19% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial sul-mato-grossense.
Na Capital, a maior oferta também tem favorecido o consumidor. Segundo os dados da ANP, Campo Grande registra um dos menores preços médios de etanol entre as capitais brasileiras, com o litro vendido a R$ 3,92. Além disso, o combustível representa cerca de 61% do preço médio da gasolina no Estado, percentual considerado vantajoso para veículos flex, já que está abaixo do índice de 70% utilizado como referência para a escolha mais econômica.










