Pesquisas realizadas na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Paranaíba, deram origem a um produto que combina compostos naturais e nanotecnologia para controlar a mosca-dos-chifres em bovinos. Batizada de Nanofly, a formulação alcançou 95% de eficácia em testes de laboratório, segundo os pesquisadores. A próxima etapa será validar a tecnologia em campo e verificar por quanto tempo o efeito permanece no rebanho.
A iniciativa busca ampliar as alternativas de combate a uma praga que interfere no desempenho dos animais. Um estudo publicado pela Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, mostrou que bovinos Nelore tratados continuamente contra a mosca-dos-chifres ganharam 20,8 quilos a mais entre o desmame e a idade de abate, na comparação com animais que não receberam tratamento.
Desenvolvido pela MTD Soluções Naturais, empresa formada a partir das pesquisas, o Nanofly utiliza uma tecnologia que protege as substâncias presentes nos óleos empregados na formulação. O objetivo é manter os compostos ativos por mais tempo nas condições reais de uso, prolongando o efeito do produto e a exposição das moscas às substâncias.
“Nossos testes in vitro demonstraram 95% de eficácia. Com isso, temos um produto potencial para o controle das moscas”, afirma Marco Aurélio de Lara, técnico de laboratório da UFMS e integrante da empresa.
A expectativa dos pesquisadores é que a formulação permita diminuir a frequência das aplicações, reduzir os custos de controle e limitar a dependência de inseticidas sintéticos. A duração do efeito nos bovinos, entretanto, ainda será avaliada nas próximas etapas.
A equipe também aponta como benefícios esperados a redução da exposição dos aplicadores e de organismos que não são alvo do tratamento. Essas possibilidades dependem da continuidade dos estudos e da validação do produto em campo.
O desenvolvimento envolve o isolamento dos compostos considerados mais eficazes e sua associação com tecnologias já empregadas em outros setores, especialmente na indústria farmacêutica. Na avaliação dos pesquisadores, a disponibilidade comercial dos óleos e o baixo custo da nanotecnologia utilizada podem contribuir para a viabilidade da formulação.
As atividades incluem trabalhos em laboratório e em propriedades rurais. Entre os desafios estão os deslocamentos e a formação de parcerias com produtores para a coleta das moscas utilizadas nos estudos.
Além de Marco Aurélio, integram a MTD o professor de Medicina Veterinária Dyego Gonçalves Lino Borges, a técnica de laboratório Tamiris Aparecida dos Santos Silva e a estudante Tainara Costa da Silva. O projeto recebeu apoio da UFMS, inclusive nas pesquisas em nanotecnologia conduzidas no Laboratório de Produtos Naturais e Espectrometria de Massas.








