A busca da J&F por um sócio estratégico para a LHG Mining pode abrir um novo capítulo na história da mineração em Corumbá, principal polo mineral de Mato Grosso do Sul. Caso a negociação seja concluída, o complexo do Maciço do Urucum passará pela quinta mudança de controle societário desde a criação da Mineração Corumbaense Reunida (MCR), em 1974.
A movimentação ocorre quatro anos após a aquisição do Sistema Centro-Oeste pela holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Embora a empresa descarte a venda integral da operação, confirmou que conduz um processo competitivo para atrair um investidor minoritário, recolocando os ativos de Corumbá no centro das atenções do mercado mineral.
Nos bastidores, a operação tem sido avaliada em até US$ 4 bilhões (cerca de R$ 20,5 bilhões), embora os valores não tenham sido oficialmente confirmados. A Vale, que vendeu os ativos para a J&F em 2022 por US$ 1,2 bilhão, informou que analisou a oportunidade, mas decidiu não participar da negociação.
Cinco décadas de transformações
A trajetória da mineração em Corumbá acompanha a evolução da indústria mineral brasileira e internacional. O empreendimento surgiu em 1974 com a fundação da Mineração Corumbaense Reunida, voltada inicialmente à exploração de manganês no Maciço do Urucum. Na época, o controle estava com o empresário Elísio Curvo e o Grupo Tragtenberg.
O primeiro grande marco ocorreu em 1991, quando a multinacional anglo-australiana Rio Tinto, em parceria com a TVX, assumiu o comando da operação. A chegada de uma das maiores mineradoras do mundo inseriu definitivamente Corumbá no mercado internacional de minério de ferro e impulsionou investimentos em produção e logística.
Em 2009, diante de um amplo programa global de venda de ativos para reduzir seu endividamento, a Rio Tinto negociou a operação com a Vale. A mineradora brasileira incorporou o complexo à sua estratégia de ampliar a produção de minério de ferro de alto teor e fortalecer sua presença em Mato Grosso do Sul.
Dois anos depois, em 2011, a Vale unificou a Urucum Mineração à Mineração Corumbaense Reunida, concentrando praticamente toda a atividade mineral da região sob uma única estrutura empresarial. Durante esse período, a empresa investiu na integração operacional e aproveitou a Hidrovia Paraguai-Paraná para ampliar o acesso aos mercados da América do Sul e de outros continentes.
Entrada da J&F
O quarto ciclo teve início em 2022, quando a Vale decidiu concentrar seus investimentos nos sistemas Norte e Sudeste e vendeu o Sistema Centro-Oeste para a J&F por US$ 1,2 bilhão.
A aquisição marcou a entrada da holding dos irmãos Batista no setor mineral. Conhecida pela atuação na indústria de proteínas, a J&F ampliou sua estratégia de diversificação, que também inclui negócios nos segmentos de energia, celulose, higiene e serviços financeiros. A operação passou a ser administrada pela LHG Mining.
Desde então, a empresa anunciou um plano de expansão estimado em aproximadamente R$ 4 bilhões, com a meta de elevar a produção anual de minério de ferro de cerca de 2,5 milhões para até 15 milhões de toneladas.
Busca por parceiro
O projeto de crescimento explica a decisão da J&F de buscar um parceiro estratégico. Segundo a companhia, o objetivo não é vender a operação, mas dividir os investimentos necessários para acelerar a expansão da produção.
Além da elevada qualidade do minério extraído no Maciço do Urucum, o complexo de Corumbá reúne vantagens logísticas consideradas estratégicas, como a integração com a Hidrovia Paraguai-Paraná, a proximidade dos mercados do Mercosul e o potencial de ampliação da capacidade produtiva.
Esses fatores mantêm o empreendimento entre os ativos mais relevantes da mineração brasileira e reforçam o interesse de investidores no futuro da operação.









