O senador Nelsinho Trad (PSD) confirmou, na noite desta sexta-feira (31), que não disputará a reeleição ao Senado nas eleições de 4 de outubro. Em nota oficial, o parlamentar anunciou que será o primeiro suplente da candidatura do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), que concorre a uma das duas vagas destinadas a Mato Grosso do Sul.
Segundo o senador, a decisão foi tomada em alinhamento com a direção nacional do PSD, presidida por Gilberto Kassab, e integra a estratégia de fortalecimento da aliança política liderada pelo governador Eduardo Riedel (PP).
Na manifestação, Nelsinho afirmou que a escolha prioriza o interesse coletivo e a união do grupo político. “A verdadeira política não se faz com vaidades individuais, mas com espírito coletivo e amor pela nossa gente”, declarou.
O parlamentar reconheceu que abrir mão da candidatura à reeleição foi uma decisão difícil, lembrando a atuação desenvolvida ao longo do mandato em favor dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul. Ainda assim, sustentou que, em determinados momentos, é necessário colocar os objetivos do grupo acima dos projetos pessoais.
Para Nelsinho, a mudança não representa um afastamento da vida política, mas uma nova forma de contribuir com a aliança. “Não dou um passo atrás; dou um passo ao lado para somar forças”, afirmou.
O senador também destacou a trajetória administrativa de Reinaldo Azambuja e disse que sua participação na chapa permitirá ao PSD continuar contribuindo com experiência e articulação política dentro da coligação.
Ao encerrar a nota, reafirmou fidelidade ao partido e garantiu que seguirá atuando em defesa da população sul-mato-grossense. “Sigo de pé, jogando pelo time, fiel ao meu partido e, acima de tudo, dedicado a servir à população sul-mato-grossense até o último dia da minha vida pública”, concluiu.
Nos bastidores, o entendimento firmado entre as principais lideranças da base governista também prevê a futura filiação de Nelsinho ao PL, legenda que deverá concentrar os principais nomes da aliança formada por Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel.
De acordo com fontes ligadas às negociações, o acordo foi consolidado após um dia de reuniões entre dirigentes partidários e integrantes do bloco aliado. Ao abrir mão da disputa por um novo mandato de oito anos no Senado, Nelsinho reforça uma chapa considerada estratégica para o grupo e preserva espaço de destaque no cenário político estadual.
Com a nova composição, Reinaldo Azambuja permanece como um dos candidatos ao Senado, enquanto a segunda vaga da coligação segue ocupada pelo ex-deputado estadual Capitão Contar (PL). A entrada de Nelsinho na primeira suplência é vista por aliados como uma forma de ampliar a competitividade da chapa e evitar a divisão dos votos entre candidaturas do mesmo campo político.
O entendimento também projeta efeitos para além das eleições deste ano. Integrantes da aliança avaliam que a composição abre caminho para a construção de um projeto político de longo prazo, incluindo a sucessão da Prefeitura de Campo Grande em 2028. A expectativa é de que o acordo reduza disputas internas e fortaleça uma futura candidatura única do grupo na Capital.
A retirada de Nelsinho da disputa direta ao Senado também altera o cenário da eleição, ampliando o espaço para outros candidatos que buscam uma das duas vagas em disputa, entre eles o deputado federal Vander Loubet (PT).
Outro reflexo imediato é a reorganização das estratégias das demais candidaturas. Com menos um concorrente no bloco governista, a tendência é de uma campanha ainda mais concentrada entre a chapa apoiada pelo governo estadual e os adversários, aumentando a importância das alianças regionais e da transferência de votos durante a campanha.
A composição também sinaliza uma mudança de estratégia do grupo liderado por Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel. Em vez de estimular uma disputa entre aliados, a prioridade passou a ser a consolidação de um projeto político com foco não apenas nas eleições de 2026, mas também nas futuras disputas estaduais e municipais.
Nova configuração da chapa
Outra alteração promovida pelo acordo envolve a composição das suplências. O ex-secretário estadual de Fazenda Felipe Mattos, que era apontado como favorito para ocupar a primeira suplência, deverá ser confirmado como segundo suplente da chapa.
Felipe Mattos integrou a equipe de Reinaldo Azambuja desde o início da gestão estadual, inicialmente como consultor jurídico. Em janeiro de 2019, assumiu a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), período em que a arrecadação estadual cresceu significativamente e o Estado ampliou investimentos em infraestrutura.
Com a nova configuração, Nelsinho Trad ocupará a primeira suplência, enquanto Felipe Mattos deverá assumir a segunda, consolidando o acordo político construído entre as lideranças da aliança para a disputa eleitoral deste ano.










