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Mulher com esquizofrenia espera há mais de uma semana por cirurgia na Santa Casa

Uma mulher de 59 anos está internada há mais de uma semana na Santa Casa de Campo Grande à espera de uma cirurgia para colocação de prótese após fraturar o fêmur da perna esquerda. Segundo familiares, o procedimento vem sendo adiado por falta de autorização e disponibilidade do material necessário pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Neusa Epifânia de Castro de Almeida, aposentada por invalidez e diagnosticada com esquizofrenia, mora no bairro Aero Rancho. Ela sofreu a fratura ao cair na cozinha de casa enquanto tentava alcançar um pote de manteiga.

De acordo com o filho, Lucas Kawali, modelo e influenciador digital, Neusa foi internada no dia 9 de setembro e permanece na ala de trauma. Desde então, já teria sido submetida a cinco períodos de jejum diante da expectativa de realização da cirurgia, que acabou sendo adiada em todas as ocasiões.

A família afirma ter sido informada pela equipe médica de que a prótese necessária ainda não está disponível. O pedido para liberação do material teria sido encaminhado, mas ainda aguardava autorização da administração hospitalar.

“Se a prótese não chegou, por que continuam colocando minha mãe em jejum?”, questionou Lucas ao criticar as sucessivas preparações para uma cirurgia que não chegou a ocorrer.

Segundo ele, Neusa apresentava quadro de saúde estável antes da internação, mas sofreu complicações durante a permanência no hospital. A paciente chegou a precisar passar por hemodiálise de urgência após apresentar piora da função renal.

Depois do procedimento, uma nova cirurgia foi prevista para sexta-feira (18), e Neusa voltou a ficar em jejum. A operação, porém, novamente não foi realizada.

O caso ganhou repercussão depois que Lucas começou a divulgar vídeos nas redes sociais relatando a situação da mãe. Ele também abriu uma vaquinha virtual para ajudar a custear despesas do período pós-operatório, estimadas por ele em cerca de R$ 80 mil.

Lucas afirma ainda que uma assistente social do hospital pediu para que ele interrompesse a arrecadação e deixasse de publicar vídeos sobre o caso. Segundo seu relato, a orientação ocorreu após a Santa Casa começar a receber questionamentos sobre a demora na cirurgia.

A situação ocorre em meio à crise administrativa enfrentada pela instituição. No dia 11 de setembro, o Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram a Operação Antidotum, que investiga suspeitas de fraudes e desvios de aproximadamente R$ 5 milhões relacionados à Santa Casa.

Seis pessoas foram presas durante a operação, entre elas a então presidente da instituição, Alir Terra Lima; o diretor administrativo, Alessandro Dias Junqueira; o diretor-adjunto de Finanças, Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa; o ex-diretor de Finanças, Rinaldo Hakme Romano; a funcionária Monique Gregório de Oliveira, responsável pelo setor de prontuários; e o empresário Maurício Benites.

A família de Neusa questiona se a crise provocada pelas investigações e pelas prisões pode ter contribuído para as dificuldades administrativas enfrentadas na liberação da prótese. Até agora, no entanto, não há comprovação de ligação direta entre a operação e o atraso na cirurgia.

Enquanto aguarda o procedimento, Neusa continua internada. A principal cobrança dos familiares é por esclarecimentos sobre os sucessivos períodos de jejum e pela liberação da prótese para que a cirurgia seja realizada.

A Santa Casa foi procurada para comentar a situação da paciente, mas não havia apresentado resposta até a divulgação das informações.

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