Uma molécula sintética inspirada na curcumina apresentou resultados promissores contra o fungo T. rubrum em testes de laboratório. Identificado como 2102, o composto foi o mais eficiente entre os avaliados para interromper o crescimento do microrganismo, além de ter sido bem tolerado em experimentos com células humanas de defesa.
A eliminação desse patógeno é dificultada, entre outros fatores, pela resposta inflamatória pouco intensa que ele costuma provocar. Isso significa que sua presença desencadeia apenas uma ativação discreta do sistema de defesa do organismo.
Outro obstáculo é a resistência de algumas linhagens do fungo aos antifúngicos disponíveis no mercado. Esse cenário tem impulsionado a busca por novos agentes contra a infecção, especialmente aqueles desenvolvidos a partir de compostos naturais ou de seus derivados.
A curcumina está entre as substâncias investigadas. Estudos apontam que ela e seus análogos apresentam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, antimicrobianas e antifúngicas. Também podem atuar em conjunto com antifúngicos tradicionais, potencializando a ação contra diferentes espécies de fungos causadores de doenças.
Apesar desse potencial, algumas características dificultam sua aplicação clínica. A curcumina apresenta baixa solubilidade em água, instabilidade química e baixa biodisponibilidade, o que limita a quantidade da substância que chega à circulação sanguínea e consegue agir no organismo. Sua rápida degradação e eliminação também comprometem a eficácia, mesmo quando administrada em doses elevadas.
Diante dessas limitações, os pesquisadores decidiram avaliar moléculas sintéticas inspiradas na curcumina. Os compostos foram aplicados em diferentes concentrações sobre o fungo cultivado em condições controladas. A molécula 2102 se destacou por inibir o crescimento do microrganismo em uma concentração menor que as demais.
Na etapa seguinte, a equipe analisou a ação do composto em culturas de macrófagos humanos, células que integram a primeira linha de defesa do sistema imunológico. Nas condições avaliadas, a substância foi bem tolerada e não apresentou toxicidade para essas células.
Os pesquisadores também realizaram um experimento para simular uma infecção profunda pelo T. rubrum. “Usamos uma linhagem celular [de macrófagos humanos] que permite estudar a interação entre o fungo e as células imunológicas presentes nesses tecidos”, explica a pesquisadora.
A análise incluiu a liberação de citocinas, substâncias produzidas pelos macrófagos que funcionam como mensageiros químicos e ajudam a regular a inflamação. Para isso, foram comparadas células infectadas sem tratamento, utilizadas como grupo-controle, e células infectadas que receberam o análogo da curcumina.
Os macrófagos tratados com o composto 2102 liberaram menos citocinas, resultado que indica efeito anti-inflamatório. Ao mesmo tempo, aumentaram a produção de substâncias oxidantes, utilizadas pelas células de defesa para combater os patógenos.
Embora os resultados sejam promissores, a aplicação da molécula ainda depende de novas etapas de pesquisa, incluindo testes em animais e ensaios de segurança em humanos.
O próximo passo da equipe da Unaerp será sequenciar o material genético do T. rubrum a partir de amostras coletadas de pacientes infectados.









