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Milho chega a 94,9% da área colhida e MS já prepara próxima safra de soja

A colheita do milho segunda safra 2025/2026 entrou na reta final em Mato Grosso do Sul e já alcança 94,9% da área acompanhada. Até 4 de setembro, aproximadamente 2,09 milhões de hectares haviam sido colhidos, enquanto produtores começam a direcionar as propriedades para o plantio da soja da temporada 2026/2027.

Os dados são do Projeto SIGA-MS, desenvolvido pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc. O levantamento mostra que o avanço dos trabalhos ocorre em ritmos diferentes entre as regiões produtoras.

No Norte do Estado, a colheita está praticamente concluída, atingindo 99,7% da área cultivada. Na região Sul, o índice chegou a 94,5%, enquanto o Centro registrou 93,8%.

A área total estimada para o milho segunda safra em Mato Grosso do Sul é de 2,206 milhões de hectares. A expectativa é de uma produção de 16,254 milhões de toneladas, resultado 16,7% superior ao obtido na safra 2024/2025.

As projeções, entretanto, ainda são preliminares e podem sofrer alterações com o avanço das avaliações de produtividade. Até o início de setembro, haviam sido realizadas 354 análises de campo, correspondentes a aproximadamente 18% da área cultivada.

O trabalho dos técnicos inclui a avaliação das condições gerais das lavouras, estágio de desenvolvimento, manejo empregado pelos produtores, produtividade e impactos provocados pelas condições climáticas.

Produtividade supera previsão inicial

Os primeiros resultados indicam potencial de produtividade superior à estimativa feita no início da safra. A projeção inicial era de 84,16 sacas por hectare, mas diversas áreas avaliadas até agora apresentam índices superiores.

A produtividade encontrada nas propriedades acompanhadas varia entre 40 e 192 sacas por hectare, demonstrando diferenças expressivas entre municípios e regiões.

Três Lagoas aparece entre os destaques, com média de 174,3 sacas por hectare. Em seguida estão Alcinópolis, com 167,8 sacas; Camapuã, com 165,3 sacas; e Rio Negro, com média de 162 sacas por hectare.

Segundo o analista técnico da Aprosoja/MS Lucas Santana, parte considerável das lavouras conseguiu alcançar bom desempenho ao longo do ciclo.

“Os resultados observados até o momento mostram que uma parcela significativa das lavouras conseguiu expressar um bom potencial produtivo. O acompanhamento de campo tem identificado áreas com elevado rendimento, resultado de um conjunto de fatores que envolve o estabelecimento adequado da cultura, o manejo realizado ao longo do ciclo e as condições climáticas encontradas nas diferentes regiões”, explicou.

Maioria das lavouras tem boas condições

O levantamento também aponta predominância de lavouras classificadas em boas condições, embora haja diferenças significativas entre as regiões.

No Oeste, 88% das áreas avaliadas apresentam boas condições, 10% estão em situação regular e 2% foram classificadas como ruins.

Na região Centro, 77% das lavouras estão em boas condições, 14% em situação regular e 9% apresentam condições ruins.

No Nordeste, 68% das áreas receberam classificação boa, 26% regular e 6% ruim. Já o Sul apresenta cenário mais irregular, com 58% das lavouras em boas condições, 18% regulares e 24% ruins.

A variação está relacionada principalmente à distribuição das chuvas, à época de semeadura, às condições do solo e ao manejo empregado durante o desenvolvimento da cultura.

Ventos mantêm produtores em alerta

Na primeira semana de setembro, diferentes regiões de Mato Grosso do Sul registraram chuvas entre 5 e 55 milímetros. A precipitação contribuiu para manter a umidade do solo e ajudou nos trabalhos de preparação das propriedades para a próxima safra.

Nas áreas em que o milho ainda permanece no campo, porém, o clima continua sendo motivo de atenção. A ocorrência de ventos fortes pode provocar acamamento ou quebramento das plantas, dificultando a operação das máquinas e aumentando o risco de perdas.

Lucas Santana destaca que o acompanhamento das lavouras deve continuar até a retirada completa dos grãos.

“Nas áreas que ainda estão em campo, o produtor precisa manter atenção principalmente às condições climáticas e ao ponto de colheita. O risco de vendavais exige cuidado, porque pode provocar acamamento e quebramento de plantas, dificultando a operação e podendo gerar perdas. Por isso, o acompanhamento da lavoura até a retirada do milho é fundamental”, afirmou.

Soja entra no radar

Com praticamente 95% da segunda safra de milho colhida, as propriedades rurais começam a mudar o foco para o próximo ciclo da soja.

As equipes do SIGA-MS já identificam operações de correção do solo, dessecação antes do plantio e outros serviços destinados à preparação das áreas que receberão a safra 2026/2027.

Dessa forma, enquanto as últimas lavouras de milho são colhidas, produtores de Mato Grosso do Sul aceleram os trabalhos para o início de mais uma temporada de soja no Estado.

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