Uma eventual redução simultânea das compras de carne bovina brasileira pela China e pela União Europeia pode aumentar em até 32% a oferta do produto no mercado interno nos próximos meses. A projeção faz parte de estudo elaborado pela Agrifatto.
Com menor espaço para os embarques aos dois importantes destinos, parte da produção originalmente destinada ao exterior teria de permanecer no Brasil, ampliando a disponibilidade de carne para o consumidor doméstico.
Segundo a análise, setembro tende a ser o período mais crítico, quando o volume adicional direcionado ao mercado brasileiro poderá atingir o pico estimado de 32%.
O cenário também preocupa pela dificuldade de encontrar outros compradores capazes de absorver rapidamente a quantidade de carne que deixaria de ser enviada aos mercados chinês e europeu. Países como Estados Unidos, Argentina e Uruguai vêm ampliando as compras, mas esse movimento ainda pode ser insuficiente para compensar eventual retração dos principais destinos.
Para os pecuaristas, o aumento da oferta interna pode representar pressão adicional sobre as cotações do boi gordo. Com maior disponibilidade de carne no mercado doméstico, frigoríficos podem encontrar menos espaço para elevar os preços pagos pela arroba.
A possibilidade ocorre justamente em um período no qual o setor esperava valorização do gado diante da menor disponibilidade de animais terminados e das expectativas relacionadas à mudança do ciclo pecuário.
Assim, mesmo com fundamentos que poderiam favorecer uma reação das cotações, a perda de espaço no mercado internacional tende a funcionar como fator de contenção dos preços no curto prazo.










