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Lupion projeta bancada do agro com 330 deputados e aponta Zé Vitor para comandar FPA

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), estima que o setor poderá contar com 330 deputados e 47 senadores favoráveis às suas pautas a partir de 2027. Ao avaliar os resultados das eleições de domingo (4), o parlamentar também apontou o deputado Zé Vitor (PL-MG) como o nome mais forte para sucedê-lo no comando da bancada.

Lupion afirmou que não considera justo com os demais integrantes disputar novamente a presidência da frente. Seu nome aparece entre os cotados para assumir o Ministério da Agricultura e Pecuária em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo o dirigente, a eleição ampliou a presença de parlamentares alinhados ao agronegócio nas duas Casas do Congresso. Os números apresentados, porém, correspondem aos cálculos da própria bancada.

“Dezoito dos nossos membros da Câmara foram eleitos para o Senado. Pelos nossos cálculos, estamos chegando a 47 senadores que têm pautas favoráveis ao agro. Já dentro da Câmara, mantivemos 180 deputados e elegemos mais cerca de 150, chegando a 330. Então temos uma oportunidade de crescimento bem grande e exponencial, o que nos dá um grande ânimo.”

Na avaliação de Lupion, uma vitória de Flávio Bolsonaro permitiria maior proximidade entre a FPA e o Executivo, com participação ativa da bancada nas discussões do Ministério da Agricultura. “Falaremos a mesma língua”, afirmou.

O parlamentar também fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para ele, as derrotas eleitorais de Carlos Fávaro e Paulo Teixeira, que comandaram, respectivamente, os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, demonstram insatisfação do setor com a atual gestão.

“Eles foram derrotados, o que deixa muito clara a insatisfação do agro com o atual governo. Temos uma taxa de juros elevada por incompetência fiscal e temos de buscar um novo caminho para o Brasil”, declarou.

Ao comentar o segundo turno, Lupion disse considerar mais provável a vitória de Flávio Bolsonaro, que obteve 47,03% dos votos no primeiro turno, enquanto Lula recebeu 45,16%. Na avaliação do deputado, uma reeleição do petista enfrentaria dificuldades de articulação diante da composição do novo Congresso.

“O posicionamento político e ideológico virá ainda mais radical, haja vista as bancadas que foram eleitas, tanto à esquerda quanto à direita. Fizemos maioria na Câmara e no Senado e não vejo governabilidade nenhuma para o governo Lula”, afirmou.

Entre as prioridades da FPA para 2027, Lupion destacou a ampliação do financiamento e do crédito rural, a busca de soluções para o endividamento dos produtores e o fortalecimento do seguro rural. O deputado defendeu mudanças na política fiscal como caminho para reduzir os juros e facilitar investimentos.

“Temos a possibilidade de reduzirmos o tamanho do rombo do Estado, fazendo uma grande reforma fiscal para garantir que os juros fiquem mais baixos e consigamos ter dinheiro mais barato, crédito mais barato para fazer investimento”, disse.

Para o presidente da frente, o endividamento no campo está relacionado ao desequilíbrio entre os custos elevados de produção e os preços baixos recebidos pela comercialização das commodities. Esse cenário, segundo ele, exige medidas que melhorem as condições de financiamento do setor.

No comércio exterior, Lupion afirmou esperar uma mudança de orientação diplomática caso Flávio Bolsonaro seja eleito. O deputado defendeu maior eficácia nas negociações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos, a cota chinesa de importação de carne bovina e as restrições a produtos brasileiros na União Europeia.

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