Após mais de uma década de paralisação, a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), em Três Lagoas (MS), voltou oficialmente à agenda de investimentos da Petrobras nesta quarta-feira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia que marcou a retomada do empreendimento e a assinatura dos contratos com as empresas responsáveis pela conclusão das obras.
Iniciada em 2011 e interrompida em 2014, quando já tinha avançado significativamente, a UFN3 se tornou um dos principais símbolos de obras inacabadas no país. Agora, o projeto volta a ganhar forma com investimento estimado em mais de R$ 5 bilhões, dentro do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC).
A expectativa da Petrobras é iniciar as atividades de campo ainda neste mês. A operação plena da fábrica está prevista para o primeiro semestre de 2029.
A cerimônia contou também com a presença da presidente da estatal, Magda Chambriard, do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, além de autoridades federais, estaduais e municipais.
Segundo o governo federal, a retomada da UFN3 integra a estratégia de reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, especialmente após crises internacionais que afetaram o fornecimento de insumos ao agronegócio.
Estrutura preservada e retomada gradual
Apesar dos anos de paralisação, a estrutura da unidade foi mantida pela Petrobras, que conservou equipamentos e sistemas instalados. Motores, válvulas, instrumentos e outros componentes passaram por manutenção contínua para evitar deterioração.
De acordo com técnicos da estatal, a maior parte da estrutura original será reaproveitada. A avaliação interna é de que a preservação ao longo dos anos permite acelerar a retomada das obras.
Empresas vencedoras do processo licitatório já começaram a se instalar em Três Lagoas para dar suporte às atividades iniciais. Uma delas abriu escritório no município, antecipando a movimentação do canteiro de obras.
A conclusão da UFN3 foi dividida em 11 pacotes de contratação.
Impacto econômico e empregos
Durante o pico das obras, o projeto deve gerar entre 7 mil e 8 mil empregos diretos, além de milhares de vagas indiretas em setores como comércio, serviços, transporte, alimentação e hospedagem.
A expectativa é de forte impacto na economia de Três Lagoas, que já concentra grandes investimentos industriais e deve ampliar ainda mais sua participação no cenário produtivo de Mato Grosso do Sul.
Um dos desafios apontados é a disponibilidade de mão de obra qualificada, já que o estado vive um momento de expansão simultânea de grandes projetos industriais, especialmente na cadeia de celulose.
Produção e metas
Quando entrar em operação, a UFN3 terá capacidade para produzir fertilizantes nitrogenados, incluindo amônia e ureia, atendendo cerca de 15% da demanda nacional do insumo. Em conjunto com outras unidades, a Petrobras estima alcançar até 30% do consumo brasileiro.
A companhia também prevê uma fase intermediária de operação, com o início da comercialização parcial da ureia em 2027, antes da conclusão total da planta.
Com isso, a retomada da UFN3 encerra um longo período de paralisação e recoloca o projeto no caminho da execução efetiva.










