O mercado brasileiro de laranja atravessa um período de forte desvalorização. Em menos de dois anos, o preço da fruta caiu mais de 75%, ao mesmo tempo em que o setor enfrenta retração da demanda internacional e redução da receita obtida com as exportações de suco.
Em outubro de 2024, a caixa de laranja de 40,8 quilos era negociada, em média, por R$ 129,35. Em agosto de 2026, o valor recuou para R$ 31,31, o que representa uma queda acumulada de 75,7% no período.
Nesta semana, entretanto, a oferta mais restrita ajudou a sustentar as cotações. A laranja pera foi negociada, em média, a R$ 41 por caixa de 40,8 quilos, avanço de 0,6% em relação à semana anterior.
Mesmo assim, a procura pela fruta perdeu força, pressionada pelo fim do mês, pelos preços considerados elevados no mercado de mesa e pela menor qualidade de parte da produção disponível.
Exportações perdem receita
O cenário de enfraquecimento da demanda também aparece no mercado externo. Apesar de o volume brasileiro de suco de laranja exportado ter permanecido relativamente estável, a receita obtida com as vendas internacionais caiu 30%, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior compilados pela CitrusBR.
Na Europa, os embarques recuaram 10,9%, enquanto a receita apresentou queda de 38%. O Japão registrou retração ainda maior: as importações do produto brasileiro diminuíram 28,6%, acompanhadas de uma redução de 45,9% no faturamento.
Os Estados Unidos, por outro lado, consolidaram-se como o principal destino individual do suco de laranja brasileiro. O país respondeu por 48% do volume total exportado, com 355,8 mil toneladas.
Mesmo com a participação expressiva, a receita obtida com as vendas aos norte-americanos também diminuiu. O faturamento recuou 20,6% na comparação com a safra 2024/2025, reforçando as dificuldades enfrentadas pelo setor diante da menor valorização do produto no mercado internacional.









