A identificação de novos pagamentos de R$ 422.325 à empresa responsável pela digitalização de documentos da Santa Casa de Campo Grande levou a Justiça a ampliar as quebras de sigilo na Operação Antidotum. A investigação apura suspeitas de fraudes contratuais e desvios de recursos do hospital.
Na decisão, o juiz Waldir Peixoto Barbosa autorizou o acesso aos dados bancários e fiscais do ex-vice-presidente da instituição, Jary Carvalho de Castro, e do ex-diretor-adjunto de finanças e ex-presidente do Comitê de Contratos, Paulo Guilherme Gutierrez Mariosa.
As informações dos dois ex-dirigentes abrangem o período de 1º de janeiro de 2024 a 8 de outubro de 2026. O magistrado também ampliou o intervalo de análise das movimentações bancárias de outras dez pessoas físicas e jurídicas já investigadas, entre elas a ex-presidente Alir Terra Lima e a RedValue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda.
O aprofundamento foi solicitado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) após a análise de dispositivos eletrônicos apreendidos. Os investigadores buscam rastrear os recursos transferidos à empresa e identificar seus possíveis destinatários finais, incluindo pagamentos posteriores ao período contemplado pela autorização judicial anterior.
Segundo a investigação, os novos elementos indicam que Jary e Mariosa participaram de decisões sobre a contratação da RedValue, a manutenção do contrato e a liberação de pagamentos.
Mariosa teria aprovado a contratação ad referendum, sem o quórum necessário para a deliberação. Jary, por sua vez, teria atuado na condução do procedimento e autorizado repasses mesmo diante de questionamentos sobre a efetiva execução dos serviços.
A Justiça também autorizou a complementação da quebra de sigilo telemático. A Google do Brasil deverá fornecer o conteúdo integral de contas de Gmail de investigados já identificadas no processo.
A determinação inclui mensagens enviadas e recebidas, rascunhos, conteúdos excluídos e anexos, referentes ao período de 1º de janeiro de 2023 a 24 de julho de 2026. As provas poderão ser compartilhadas com outros procedimentos investigatórios e processos judiciais relacionados aos mesmos fatos.
As instituições financeiras e empresas de tecnologia terão 30 dias para entregar as informações, que deverão permanecer sob sigilo absoluto.
A Operação Antidotum teve um de seus principais desdobramentos em 11 de setembro, quando o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) e o Gaeco prenderam Alir Terra Lima e integrantes da administração da Santa Casa.
Também foram presos Paulo Mariosa; o ex-diretor financeiro Rinaldo Hakme Romano; o ex-diretor administrativo Alessandro Dias Junqueira; Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística; e Maurício Aparecido Benites, proprietário da RedValue.
A apuração envolve o contrato firmado entre a empresa e a Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, mantenedora do hospital. Conforme os investigadores, a contratação teria envolvido manipulação de pesquisas de preços, superfaturamento e pagamentos por serviços que não teriam sido prestados.
Rinaldo deixou a prisão por questões de saúde. Os demais presos citados permanecem detidos.
Na terça-feira (20), Waldir Peixoto Barbosa manteve a prisão preventiva de Alir Terra Lima, de 71 anos. A defesa pediu sua liberdade alegando neoplasia da mama, problemas de pressão arterial e crises de ansiedade.
A ex-presidente passou mal no presídio nos dias 11 e 13 de outubro e foi encaminhada ao Hospital da Unimed nas duas ocasiões. No segundo atendimento, o socorro foi prestado pelo Corpo de Bombeiros.
Os advogados também citaram decisões que beneficiaram Rinaldo e Edivaldo Pereira Aquino, réu na Operação Tapa-buracos, por motivos de saúde. Após a manutenção da prisão em primeira instância, a defesa aguarda o julgamento de habeas corpus no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.










