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Inadimplência entre produtores rurais cresce e atinge nível recorde em Mato Grosso do Sul

A inadimplência entre produtores rurais de Mato Grosso do Sul alcançou o maior nível da série histórica no primeiro trimestre de 2026. Levantamento da Serasa Experian mostra que 8,7% dos produtores rurais pessoas físicas do Estado estavam com dívidas em atraso no período, percentual superior ao registrado no mesmo intervalo de 2025, quando o índice era de 7,3%.

O resultado representa um aumento de 1,4 ponto percentual em um ano e evidencia o agravamento das dificuldades financeiras enfrentadas pelo agronegócio. Entre os principais fatores apontados para esse cenário estão os elevados custos de produção, a volatilidade dos preços das commodities, os impactos climáticos das últimas safras e a maior restrição na oferta de crédito.

Segundo o head de Agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, o crescimento da inadimplência é reflexo de um processo que já vinha sendo observado desde o ano passado.

De acordo com ele, apesar da melhora das perspectivas para alguns segmentos do setor, muitos produtores ainda enfrentam dificuldades para recuperar a capacidade financeira após ciclos marcados por custos elevados, oscilações de mercado e acesso mais limitado ao crédito, fatores que continuam pressionando o fluxo de caixa e comprometendo a capacidade de pagamento.

Embora Mato Grosso do Sul permaneça abaixo da média registrada na Região Centro-Oeste, onde a inadimplência chegou a 10,1%, o avanço do índice estadual chama atenção por ocorrer após um período de relativa estabilidade.

Perfil dos produtores

Os dados mostram que a maior concentração de inadimplência continua entre produtores sem registro formal de propriedade rural, grupo formado por arrendatários, integrantes de grupos familiares ou econômicos e produtores sem identificação nos cadastros fundiários. Nesse segmento, o índice chegou a 12,9% em Mato Grosso do Sul.

Entre os proprietários formais, os pequenos produtores registraram inadimplência de 8,4%, seguidos pelos médios, com 7,8%. Os grandes produtores apresentaram o menor percentual do Estado, de 6,6%.

No cenário nacional, os produtores sem registro também lideram os índices de inadimplência, mas a sequência difere da observada em Mato Grosso do Sul. Em todo o País, os grandes proprietários aparecem na segunda posição, à frente dos médios e pequenos produtores.

Especialistas do setor de crédito atribuem a maior vulnerabilidade dos produtores sem registro formal às dificuldades para acessar linhas tradicionais de financiamento, à menor oferta de garantias e à necessidade de recorrer a operações com custos mais elevados.

Outro recorte do levantamento aponta que a inadimplência permanece concentrada entre produtores em idade economicamente ativa. Nacionalmente, os maiores índices foram registrados na faixa de 30 a 39 anos, seguida pelos grupos de 18 a 29 anos e de 40 a 49 anos. A partir dos 50 anos, os percentuais apresentam queda gradual.

Recuperação judicial e risco de crédito

O avanço da inadimplência ocorre em paralelo ao crescimento dos pedidos de recuperação judicial envolvendo empresas do agronegócio em Mato Grosso do Sul, movimento impulsionado pelos juros elevados, perdas de safra e redução da capacidade de pagamento.

Embora a recuperação judicial envolva pessoas jurídicas e o levantamento da Serasa considere produtores pessoas físicas, ambos os indicadores refletem um ambiente de maior pressão financeira sobre o setor.

Esse cenário também aparece no Agro Score, indicador da Serasa Experian utilizado para medir o risco de crédito dos produtores rurais. A pontuação média caiu de 606 pontos no primeiro trimestre de 2025 para 591 pontos no mesmo período deste ano, sinalizando aumento da percepção de risco pelas instituições financeiras.

Segundo Marcelo Pimenta, ferramentas baseadas em inteligência artificial têm ganhado espaço na análise de crédito rural ao permitir avaliações mais detalhadas das características de cada propriedade e apoiar decisões mais precisas por parte de bancos, cooperativas e empresas do setor.

Pela metodologia da Serasa Experian, são considerados inadimplentes os produtores rurais pessoas físicas com dívidas superiores a R$ 1 mil, vencidas há mais de 180 dias e relacionadas a financiamentos ou atividades ligadas ao agronegócio. A base utilizada contempla aproximadamente 10,7 milhões de produtores rurais em todo o Brasil.

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