O governo federal autorizou, em caráter temporário e experimental, a circulação dos chamados hexatrens — conjuntos de carga formados por um caminhão-trator e seis semirreboques — em estradas rurais não pavimentadas dos municípios de Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas. A medida beneficia a Suzano, que utilizará os veículos no transporte de madeira destinada à sua fábrica de celulose.
A autorização foi oficializada por meio de portaria assinada pelo secretário nacional de Trânsito, Adrualdo de Lima Catão, publicada no Diário Oficial da União. Segundo o documento, a experiência terá duração de um ano e servirá para reunir informações técnicas e operacionais que poderão subsidiar futuros estudos sobre a regulamentação desse tipo de composição veicular.
Os hexatrens poderão trafegar apenas em trechos específicos das rodovias estaduais MS-357, MS-338, MS-456 e MS-340, em Ribas do Rio Pardo, e MS-459, em Três Lagoas. A circulação será permitida nos dois sentidos das vias, tanto para o deslocamento vazio em direção às áreas de reflorestamento quanto para o retorno carregado até a unidade industrial da empresa.
A fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, considerada uma das maiores plantas de produção de celulose do mundo, entrou em operação em julho de 2024. Desde então, o transporte da madeira por meio dos hexatrens faz parte da estratégia logística da empresa, já que os veículos possuem grande capacidade de carga, mas não podem circular em rodovias pavimentadas devido às suas dimensões e características operacionais.
A portaria estabelece uma série de exigências para garantir a segurança da operação. Os veículos estão proibidos de trafegar em estradas asfaltadas e não poderão circular em comboio. Além disso, deverá ser mantida uma distância mínima de 300 metros entre um hexatrem e outro.
Durante o período de testes, os caminhões poderão ser conduzidos apenas por técnicos, engenheiros da Suzano ou pessoas autorizadas pela empresa, que poderão ser solicitadas a apresentar identificação profissional durante as operações.
A Suzano também ficará responsável por adotar medidas para reduzir eventuais impactos à infraestrutura das rodovias utilizadas. Em até 30 dias, a empresa deverá encaminhar à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) um estudo técnico sobre as condições estruturais e geométricas das vias autorizadas, incluindo pontes e demais obras de arte, para comprovar a compatibilidade da infraestrutura com o tráfego dos hexatrens.
Caso a circulação dos veículos provoque danos às estradas ou demais estruturas viárias, a responsabilidade pela reparação será integralmente da empresa. A expectativa do governo é que os testes forneçam dados suficientes para avaliar a viabilidade da utilização desse modelo de transporte em operações florestais de grande escala.









