Mato Grosso do Sul pode elevar em até 30% a produção de bezerros nas propriedades rurais com a adoção de genética selecionada e o aumento da precocidade reprodutiva das fêmeas. Em um Estado onde a criação de bovinos ocupa papel central no agronegócio, a estratégia permite produzir mais animais utilizando praticamente a mesma estrutura de rebanho e de pastagem.
A estimativa é do médico-veterinário Leonardo Souza, sócio-diretor do Programa Qualitas de Melhoramento Genético. Segundo ele, a utilização de reprodutores geneticamente avaliados, associada à seleção de novilhas capazes de emprenhar aos 14 meses, aumenta significativamente a eficiência das fazendas.
Na prática, a antecipação da primeira gestação faz com que a fêmea entre mais cedo no ciclo produtivo. Ao longo de sua permanência no rebanho, isso pode representar um bezerro a mais e, quando a estratégia é aplicada em larga escala, provocar forte crescimento na produção total da propriedade.
Para os pecuaristas de Mato Grosso do Sul, o ganho ocorre sem necessidade de ampliar a área de pastagem ou aumentar proporcionalmente o número de matrizes. O avanço está justamente em retirar maior produtividade dos animais que já integram o sistema.
A proximidade da primavera também marca o período de preparação para a Estação de Monta em boa parte das propriedades. Nesta fase, o planejamento reprodutivo passa pela definição dos protocolos de Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF), escolha dos touros e organização do manejo das matrizes.
Souza destaca que a seleção genética interfere diretamente em características importantes para a pecuária, como fertilidade, precocidade sexual, ganho de peso e desempenho dos animais.
Quanto mais cedo uma novilha estiver preparada para reproduzir, menor será o período em que permanece na propriedade sem gerar bezerros. A redução desse intervalo melhora os índices de produtividade e ajuda a diluir os custos da atividade.
A genética, porém, precisa caminhar junto com outros fatores. Nutrição adequada, sanidade e manejo reprodutivo são fundamentais para que o potencial genético dos animais resulte efetivamente em maior número de bezerros.
Um dos instrumentos utilizados na seleção é o Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP), que completa três décadas e identifica animais geneticamente superiores dentro de programas de melhoramento reconhecidos.
Para uma pecuária como a de Mato Grosso do Sul, que busca aumentar a produção sem necessariamente avançar sobre novas áreas, o melhoramento genético surge como uma das principais ferramentas para elevar a quantidade de bezerros produzidos por hectare e melhorar a rentabilidade das propriedades.








