Os preços do transporte de grãos caíram em nove das 17 principais rotas de Mato Grosso do Sul acompanhadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em agosto. Outros quatro trajetos mantiveram os valores de julho e quatro registraram aumento. A predominância de queda ou estabilidade ocorreu mesmo com o avanço da colheita do milho segunda safra e a maior movimentação da produção para armazéns e compradores.
Na comparação com agosto de 2025, o cenário ficou dividido: oito corredores apresentaram alta, oito tiveram redução e um permaneceu estável. Os dados integram o Boletim Logístico de setembro de 2026, divulgado pela Conab em 30 de setembro, com informações sobre os principais corredores de transporte de grãos em dez estados.
A maior alta mensal em Mato Grosso do Sul foi registrada na ligação entre Maracaju e o porto de Paranaguá, no Paraná. O preço passou de R$ 266 para R$ 285 por tonelada, avanço de 7,1%.
Também houve aumento no transporte de Ponta Porã para Rio Grande, no Rio Grande do Sul, de R$ 310 para R$ 320 por tonelada, variação de 3,2%. Entre Maracaju e Maringá, no Paraná, o frete subiu de R$ 138 para R$ 142, alta de 2,9%.
Já o corredor entre Sidrolândia e Santos, em São Paulo, apresentou aumento de 2,8%, passando de R$ 282 para R$ 290 por tonelada. Essas quatro rotas foram as únicas com valorização mensal entre as monitoradas no Estado.
Quedas chegam a 9,4%
O transporte entre Chapadão do Sul e Guarujá, em São Paulo, teve uma das maiores reduções em agosto. O valor caiu de R$ 320 para R$ 290 por tonelada, recuo de 9,4%. Na ligação do mesmo município com Paranaguá, o preço passou de R$ 315 para R$ 300, queda de 4,8%.
Em Ponta Porã, o frete para Maringá diminuiu de R$ 149 para R$ 138 por tonelada, redução de 7,4%. No trajeto para Paranaguá, o recuo foi de 2,9%, com o valor passando de R$ 280 para R$ 272.
Entre Dourados e Rio Grande, o transporte ficou 4,8% mais barato, passando de R$ 289 para R$ 275 por tonelada. Para Maringá, a redução foi de 0,8%, de R$ 120 para R$ 119. Já o frete de Dourados para Paranaguá permaneceu em R$ 248 por tonelada.
Oito trajetos acima dos preços de 2025
Apesar da acomodação mensal, algumas rotas continuaram com valores superiores aos de agosto do ano passado. A maior alta anual ocorreu entre Sidrolândia e Maringá, onde o preço passou de R$ 126 para R$ 147 por tonelada, aumento de 16,7%.
Na sequência, o corredor Maracaju–Paranaguá registrou avanço de 14,9%, de R$ 248 para R$ 285 por tonelada. Entre Sidrolândia e Paranaguá, a alta foi de 10,8%, com o frete passando de R$ 249 para R$ 276.
Também ficaram mais caros os trajetos Dourados–Maringá, com aumento de 8,2%; Ponta Porã–Maringá, com 6,2%; e Dourados–Paranaguá, com 4,2%. As ligações de Ponta Porã com Rio Grande e Santos tiveram alta anual de 3,2% cada.
Em sentido contrário, o maior recuo na comparação com agosto de 2025 ocorreu entre Sidrolândia e Santos. Embora tenha subido em relação a julho, o frete caiu de R$ 320 para R$ 290 por tonelada no intervalo de um ano, redução de 9,4%.
São Gabriel do Oeste–Santos apresentou queda anual de 7,6%, enquanto Chapadão do Sul–Guarujá recuou 6,5% e São Gabriel do Oeste–Maringá diminuiu 5,9%. O transporte entre Chapadão do Sul e Paranaguá manteve o preço de R$ 300 por tonelada registrado um ano antes.
Colheita amplia movimentação para armazéns
Segundo a Conab, aproximadamente 87% da área de milho segunda safra de Mato Grosso do Sul havia sido colhida até 28 de agosto. Os trabalhos estavam praticamente concluídos no Norte do Estado, mas ainda avançavam nas regiões Centro e Sul.
A retirada do cereal das lavouras aumentou a demanda por transporte até as unidades armazenadoras. Em algumas localidades, houve saturação de silos de cerealistas e cooperativas, além de filas para descarga, indicando limitações pontuais na capacidade de recebimento.
Essa movimentação, porém, não provocou uma alta generalizada dos fretes. Conforme a análise da companhia, a pressão logística variou entre as regiões e os destinos, com cargas direcionadas tanto à armazenagem quanto ao abastecimento dos mercados consumidores.
O ritmo da colheita também não corresponde, necessariamente, ao volume comercializado ou enviado imediatamente para consumo. Parte da produção permanece estocada para retirada posterior, conforme contratos, demanda dos compradores e necessidade de reposição dos estoques.
Além das exportações, o consumo interno participa da demanda pelo milho sul-mato-grossense. O cereal abastece a produção de ração animal e o processamento industrial, incluindo a fabricação de etanol, movimentando diferentes corredores de transporte.
MS exporta 648,2 mil toneladas de soja e milho
Mato Grosso do Sul exportou 548,1 mil toneladas de soja e 100,1 mil toneladas de milho em agosto. Juntas, as duas commodities somaram 648,2 mil toneladas destinadas ao mercado externo.
Embora tenha representado a maior parcela dos embarques, a soja apresentou redução no volume exportado em relação a julho. Para a Conab, esse recuo, associado à sazonalidade da comercialização, pode ter contribuído para a acomodação dos preços do transporte no Estado.
Os dados de exportação não abrangem toda a movimentação rodoviária de grãos, pois excluem as cargas destinadas ao mercado interno e não equivalem, necessariamente, ao volume transportado por caminhões durante o mês.
Entre os portos utilizados para escoar a produção sul-mato-grossense, Paranaguá recebeu 246,3 mil toneladas de soja e milho em agosto. São Francisco do Sul, em Santa Catarina, respondeu por 214,6 mil toneladas, enquanto Santos recebeu 186,4 mil toneladas.
Os volumes reforçam a importância das ligações entre as regiões produtoras de Mato Grosso do Sul e os terminais portuários do Sul e do Sudeste.
Soja mantém demanda por transporte no país
No cenário nacional, as exportações de soja alcançaram 92,7 milhões de toneladas entre janeiro e agosto de 2026, crescimento de 7% em relação ao mesmo período de 2025.
Os embarques de milho somaram 14,5 milhões de toneladas nos oito primeiros meses do ano, queda de 7,9% na comparação anual. Apesar da redução, a Conab apontou valorização do cereal nos mercados brasileiro e internacional.
O Arco Norte respondeu por 38,85% das exportações brasileiras de soja no período, seguido pelo porto de Santos, com 34,42%. Para o milho, as participações foram de 48,98% e 27,08%, respectivamente. Santos também concentrou 44,02% dos embarques nacionais de farelo de soja.
Na entrada de insumos, o Brasil importou 25,38 milhões de toneladas de fertilizantes de janeiro a agosto, volume aproximadamente 13,7% inferior ao registrado nos mesmos meses de 2025.
Em Mato Grosso do Sul, a combinação entre colheita, armazenagem, consumo interno e exportações resultou em comportamentos distintos entre as rotas. Mesmo com maior movimentação de milho, a maioria dos corredores apresentou queda ou estabilidade mensal, enquanto oito trajetos permaneceram mais caros do que um ano antes.









