A Embrapa acaba de colocar no mercado as primeiras cultivares brasileiras de plantas alimentícias não convencionais (Pancs), marcando um avanço para a diversificação da produção de hortaliças no país. As variedades de bertalha ‘BRS Tereverde’ e de caruru ‘BRS Ilekalu’ foram desenvolvidas após mais de duas décadas de pesquisas e chegam aos produtores com identidade genética definida, qualidade padronizada e recomendações de cultivo validadas cientificamente.
As novas cultivares representam uma oportunidade para fortalecer a agricultura familiar e urbana, além de ampliar a oferta de alimentos nutritivos no mercado. Apesar do elevado potencial alimentar e agronômico, as Pancs ainda ocupam espaço reduzido na produção comercial brasileira e contam com poucas cadeias produtivas estruturadas.
O lançamento oficial ocorrerá durante a 31ª Hortitec, uma das maiores feiras de horticultura da América Latina, realizada entre 17 e 19 de junho, em Holambra (SP).
Segundo o pesquisador da Embrapa Hortaliças, Nuno Madeira, a disponibilização de sementes de qualidade, aliada às orientações de manejo, deverá estimular o cultivo, a comercialização e o consumo dessas espécies. A expectativa é ampliar a presença das Pancs em hortas domésticas, escolares, comunitárias e propriedades da agricultura familiar, valorizando também conhecimentos tradicionais acumulados ao longo de gerações.
Mais resistentes e nutritivas
As Pancs reúnem características que despertam interesse tanto de agricultores quanto de consumidores. São plantas adaptadas a diferentes condições climáticas, resistentes a pragas e doenças, exigem menos insumos e apresentam elevado valor nutricional. Também contribuem para diversificar a alimentação e podem ser cultivadas com facilidade em áreas urbanas e rurais.
Bertalha suporta calor intenso
A cultivar ‘BRS Tereverde’ é a primeira variedade de bertalha desenvolvida com alta produtividade e padrão visual uniforme. Uma das principais vantagens é a capacidade de manter boa produção mesmo em temperaturas de até 40°C, tornando-se alternativa para o cultivo de hortaliças folhosas durante os períodos mais quentes do ano. Validada nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, ela pode produzir entre 40 e 60 toneladas por hectare, com colheitas sucessivas na mesma safra.
Além da produtividade, a hortaliça é rica em fibras, vitaminas A e C, cálcio e ferro, mantendo boa conservação pós-colheita por cerca de quatro dias em temperatura ambiente.
Caruru se destaca pelo alto teor de proteínas
Já a ‘BRS Ilekalu’ é a primeira cultivar de caruru selecionada especificamente para consumo como hortaliça folhosa. O principal diferencial está no elevado teor de proteínas nas folhas, que alcança 33,8%, além da textura macia e da rusticidade, permitindo cultivo durante praticamente todo o ano em regiões de clima quente.
Em Mato Grosso do Sul, assim como nas regiões Sul, Sudeste, Distrito Federal e sul de Goiás, o plantio é recomendado entre agosto e março. A colheita pode começar entre cinco e sete semanas após o plantio. Outra característica importante é o florescimento tardio, que reduz o risco de disseminação espontânea da planta após a colheita.
Novas variedades estão em desenvolvimento
A Embrapa informa que a bertalha e o caruru são apenas as primeiras cultivares de uma série de Pancs previstas na parceria com a Isla Sementes. Outras variedades, como almeirão-roxo e vinagreira, deverão ser lançadas nos próximos anos, ampliando as opções para produtores interessados em sistemas agroecológicos e hortas biodiversas.









