A Embrapa disponibilizou gratuitamente a edição 2026 do Sistema de Produção de Abacaxi para o Estado do Amazonas, publicação que reúne orientações técnicas para todas as etapas da cultura, desde o plantio até a comercialização dos frutos. O material é voltado a produtores rurais, agricultores familiares, técnicos e extensionistas e pode ser acessado no portal da instituição.
O documento apresenta recomendações sobre manejo da lavoura, exigências climáticas, adubação, controle de pragas e doenças, colheita, pós-colheita, viabilidade econômica e estratégias de comercialização, com o objetivo de aumentar a produtividade e fortalecer a cadeia produtiva do abacaxi no estado.
A publicação foi elaborada por pesquisadores da Embrapa Amazônia Ocidental e da Embrapa Mandioca e Fruticultura, em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror).
Variedades tradicionais ganham destaque
Além das orientações técnicas, o material destaca o potencial das variedades tradicionais de abacaxi cultivadas no Amazonas. O estado faz parte do centro de origem e diversidade genética do gênero Ananas e abriga cultivares crioulas produzidas, principalmente, por agricultores familiares.
Entre elas está a cultivar Turiaçu Amazonas, desenvolvida a partir da seleção realizada por produtores de Itacoatiara. Registrada no Registro Nacional de Cultivares (RNC) em 2024, a variedade vem apresentando bons resultados em áreas comerciais graças ao uso de plantios adensados e de boas práticas de manejo.
Segundo o pesquisador Marcos Vinícius Garcia, da Embrapa Amazônia Ocidental, o sistema de produção foi elaborado com base em avaliações agronômicas realizadas em áreas experimentais e propriedades comerciais nos municípios de Itacoatiara e Manaus.
Cultura tem importância econômica
O abacaxi está entre as principais frutas tropicais produzidas no Brasil e desempenha papel importante na geração de renda para agricultores. O país ocupa a quarta posição no ranking mundial de produção, atrás apenas de Indonésia, Filipinas e Costa Rica, com a maior parte da produção destinada ao mercado interno.
No Amazonas, a cultura integra a economia agrícola ao lado da mandioca, banana e cana-de-açúcar. O cultivo comercial concentra-se principalmente em Manaus, Careiro, Careiro da Várzea, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, município responsável por mais da metade da produção estadual.
Apesar do potencial, a atividade enfrenta desafios relacionados ao elevado custo de produção, especialmente com fertilizantes, controle de plantas daninhas e manejo de pragas. Nos últimos anos, a alta dos insumos reduziu a área cultivada e reforçou a necessidade de tecnologias capazes de diminuir os custos da produção.
Potencial para novos mercados
A nova publicação também recomenda ampliar as pesquisas com outras variedades crioulas cultivadas no estado, como São Gabriel e Jucá, que atualmente são comercializadas apenas em mercados locais.
Segundo os pesquisadores, estudos sobre produtividade e qualidade dos frutos podem abrir novas oportunidades de mercado e contribuir para ampliar a diversidade genética dos pomares amazonenses.
A Embrapa destaca ainda que o cultivo do abacaxi possui potencial para expansão entre pequenos e médios produtores, especialmente quando associado a práticas sustentáveis, como o reaproveitamento de resíduos vegetais para alimentação animal, adubação do solo e integração entre agricultura e pecuária.
Além de orientar o manejo da cultura, o Sistema de Produção de Abacaxi para o Estado do Amazonas busca oferecer maior previsibilidade ao produtor rural, auxiliando no planejamento da atividade, no acesso ao crédito e na adoção de práticas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).










