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Embrapa Agropecuária Oeste destaca inovações na Dinapec 2025

A participação da Embrapa Agropecuária Oeste na Dinapec 2025 foi marcada pela apresentação de duas tecnologias inovadoras para a pecuária: o Sistema Antecipasto, apresentado pelo pesquisador Luís Aramando Zago Machado e o Sistema Diamantino, apresentado pelo analista Gessí Ceccon e pela pesquisadora Marciana Retore. Durante a Dinapec, os pesquisadores da Embrapa compartilharam experiências de sucesso e resultados de experimentos de campo.

O Sistema Antecipasto, que antecipa em 30 a 60 dias o período de pastejo ao integrar o cultivo de capim com a soja, despertou grande interesse do público. Especialistas explicaram como o plantio da forrageira entre os estágios V3 e V4 da soja garante disponibilidade de pasto mesmo em condições climáticas adversas, proporcionando maior eficiência no manejo das pastagens e não compromete a produtividade da cultura da soja, além de proporcionar aumento na produção de carne entre 3 a 5 arrobas por hectare.

Já o Sistema Diamantino, voltado para a recuperação de pastagens degradadas, demonstrou seu potencial na correção do solo e no consórcio de sorgo biomassa com forrageiras perenes. Os participantes puderam conhecer como essa abordagem promove alta produção de forragem para silagem e permite a renovação da pastagem em 45 a 60 dias, resultando em maior lotação e produtividade pecuária. O produtor deve ficar atento para que Diamantino seja implantado no início do período chuvoso.

Produção pecuária

A edição 2025 da Dinâmica Agropecuária (Dinapec) trouxe as mais recentes tecnologias e estratégias para o desenvolvimento da pecuária brasileira, com foco no aumento da produção sem a necessidade de expansão de novas áreas. 

O chefe-geral da Embrapa Territorial (Campinas-SP), Gustavo Spadotti, destacou que a Empresa tem direcionado seus esforços para o aumento da produção pecuária por meio da intensificação do uso da terra e do incremento da produtividade, dispensando a abertura de novas áreas.

Ele explicou que basicamente existem três formas de aumentar a produção: expandir a área, aumentar a produtividade ou intensificar o uso da terra. Nesse contexto, ressaltou a importância do Plano Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas, uma política pública que visa intensificar os sistemas de produção e diminuir a diferença de produtividade entre os pecuaristas mais e menos tecnificados pela adoção de tecnologias. O objetivo principal é promover a expansão agropecuária de forma sustentável, sem a necessidade de desmatamento ou pressão sobre novas fronteiras agrícolas.

Segundo dados apresentados por Spadotti, se todos os pecuaristas brasileiros alcançassem a média de produtividade nacional, seria possível produzir o rebanho atual de aproximadamente 200 milhões de cabeças de gado em apenas 60 milhões de hectares. Isso liberaria cerca de 100 milhões de hectares para outras atividades, como silvicultura e recomposição de vegetação nativa. Essa análise evidencia o grande gap de produtividade existente no setor e o potencial de otimização do uso da terra.

Para o pesquisador Manuel Macedo, da Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS), a recuperação de áreas degradadas não só contribui para o aumento da produtividade, como também desempenha um papel crucial na mitigação das emissões de gases de efeito estufa. Macedo afirma que o Estado de Mato Grosso do Sul é um exemplo, pois conseguiu reduzir a área e o rebanho bovino enquanto aumentava a produtividade com estratégias de manejo eficientes.

Ainda em fase de validação, a Calculadora de Pegada de Carbono visa auxiliar os produtores a adotarem as melhores tecnologias dentro de suas propriedades de acordo com sua realidade, e quando finalizada será mais uma tecnologia para desenvolvimento da pecuária sustentável. Durante a Dinapec 2025, o chefe-geral da Embrapa Percuária Sudeste (São Carlos-SP), Alexandre Berndt, apresentou a ferramenta e convidou os pecuaristas presentes no evento a participar da etapa de validação da plataforma, compartilhando dados de suas propriedades (com garantia de sigilo) nos biomas Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. 

Os parceiros terão acesso à calculadora, análises aprofundadas e agregadas, além de treinamento on-line, demonstrando a forte base científica por trás da iniciativa. A expectativa é que a calculadora seja um importante instrumento para a gestão sustentável e à produção pecuária de baixo carbono no Brasil.

Spadotti, Macedo e Berndt foram palestrantes no painel “Carbono sob Controle”, realizado no dia 25. Esse foi um dos quatro painéis da Dinâmica. Os outros abordaram Saúde Única, Sistemas Pecuários Sustentáveis e Integração na Produção Agropecuária. 

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