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Crédito para comprar terras cresce 179% no Sul e abre caminho para jovens no campo

O volume de recursos destinados à compra de terras por meio do crédito fundiário cresceu aproximadamente 179% na região Sul entre 2024 e 2025. Os financiamentos passaram de R$ 32,2 milhões para R$ 89,8 milhões, ampliando as possibilidades de agricultores adquirirem uma propriedade e permanecerem na atividade rural.

No mesmo período, o número de contratos passou de 191 para 383. O Rio Grande do Sul concentrou a maior quantidade de operações em 2025, com 193, seguido pelo Paraná, com 124, e por Santa Catarina, com 66.

Apesar do avanço, o acesso ao financiamento ainda enfrenta obstáculos. A burocracia, a necessidade de regularização dos imóveis e o preço das áreas estão entre as principais dificuldades para quem pretende comprar a própria terra.

Entre os interessados está Diego, de 21 anos, morador de Cantagalo, no Paraná. Ele busca recursos para adquirir uma área que pertenceu à avó e continuar trabalhando com a família. Após reunir a documentação e cumprir as etapas iniciais, o pedido aguarda análise federal.

“O crédito fundiário tem uma burocracia bastante grande. O meu ainda não saiu. Estamos ainda nos trâmites para que possa sair. Agora já está na análise federal. Acredito que logo vai sair”, relata.

Permanência dos jovens

Entidades ligadas aos trabalhadores rurais consideram o acesso à propriedade um fator decisivo para a sucessão familiar. A dificuldade para adquirir terras e obter renda leva parte dos jovens a procurar oportunidades nas cidades.

No Paraná, cerca de 45% das operações contratadas em 2025 foram enquadradas na modalidade voltada ao público jovem. Para esses agricultores, o financiamento oferece a possibilidade de formar patrimônio e dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela família.

“Decidimos acessar o crédito fundiário porque é um crédito com uma taxa de juros muito mais baixa, muito acessível para nós, para que eu possa continuar aqui ajudando e trabalhando junto com a minha família”, afirma um dos jovens entrevistados.

Propostas na fila

A expansão dos contratos ainda não acompanha toda a demanda. Segundo representantes do setor, mais de 500 propostas que aguardam contratação teriam condições de avançar. No Paraná, a plataforma da federação que acompanha os projetos reúne cerca de 500 demandas, e a meta da entidade é alcançar mil famílias beneficiadas em um curto período.

A situação documental das propriedades é um dos principais entraves. Para viabilizar o financiamento, os imóveis precisam estar regularizados e georreferenciados, o que pode prolongar a tramitação.

O preço das terras também pesa. Em 2025, o valor médio por operação no Paraná chegou a R$ 265,6 mil, o maior entre os três estados do Sul. A presença expressiva de pequenas propriedades na região, contudo, favorece a aquisição de áreas menores por filhos de agricultores.

Apoio após a compra

Representantes da agricultura familiar defendem que o crédito fundiário seja acompanhado de outras políticas públicas. A aquisição da terra, por si só, não resolve todas as necessidades de quem pretende viver da produção rural.

Depois da compra, as famílias precisam de financiamento para produzir, assistência técnica, extensão rural e oportunidades para agregar valor e comercializar os alimentos. Para o setor, a articulação dessas medidas é essencial para transformar o acesso à propriedade em condições de permanência no campo.

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